Janeiro - 2026 - Edição 310
Delações
Delações (Helvetia Edições) é o quarto livro de poesias de Daniel Blume, que já lançou Inicial, Penal e Resposta ao Terno. Dividido em quatro partes, os capítulos abarcam eixos temáticos: De Poetas, De Personagens, De Lugares e De Corpos. Tecendo um “mosaico bem sortido de percepções”, em poemas curtos na forma e profundos no conteúdo, a escrita sensível do autor apresenta uma trama de significados que “delatam” (e dilatam) os sentidos da leitura. Na orelha, Hagamenon de Jesus observa o fazer poético de Blume: “Ao poeta, se impõe inescapavelmente o conviver com esta dominadora e indefinível entidade que é a poesia, que determina seu modo de ver a vida e de posicionar-se frente ao mundo.” Advogado e escritor, Daniel Blume nasceu em São Luis do Maranhão, em 27 de outubro de 1977. É doutor em Direito pela Universidade Autônoma de Lisboa. Seus livros já foram traduzidos para o espanhol, o francês e o italiano. É membro do PEN Clube do Brasil, da Academia Internacional de Cultura e da Academia de Letras e Música do Brasil. Titular da Cadeira de número 15 da Academia Ludovicense de Letras, é procurador do Estado do Maranhão, membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros, conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil e ex-juiz eleitoral.
Na Altura dos Olhos
Na Altura dos Olhos (Editora Primata), de Alex Cabral Silva, reúne 12 contos distribuídos em 84 páginas. A obra é um convite a observar além do que está diante de nós, processando o mundo em que vivemos por meio de nossas subjetividades. A cada história, perspectivas pessoais — de tipos distintos, nas mais variadas locações — forjam interpretações do que notamos e de como processamos o mundo à nossa volta. O despencar de um cupido em ação, o desaparecimento de um escritor desprestigiado dentro de uma pintura e o contemplar de um jardim que não é possível levar na mudança estão entre os temas. Com influências que vão da poesia simbolista à tradição dos haicais, o autor constrói uma obra onde a linguagem é afirmação de potência. Na Altura dos Olhos é o primeiro livro do jornalista Alex Cabral Silva. Petropolitano, estudou roteiro na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Atualmente, é colunista do site JP Revistas onde, semanalmente, resenha os últimos lançamentos das plataformas de streaming no gênero documentário. Essa publicação começou a ser pensada em 2006, quando já trabalhava como jornalista. Cobria shows e lançamentos cinematográficos quando resolveu estudar roteiro para aperfeiçoar suas análises sobre os filmes que resenhava.
Diplomatas, Escritores, Imortais
Diplomatas, Escritores, Imortais (Fundacão Alexandre de Gusmão), organizado pelo acadêmico e embaixador João Almino, reúne ensaios inéditos de especialistas sobre diplomatas brasileiros que se destacaram na literatura, incluindo o Barão do Rio Branco, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Aluísio Azevedo, Domício da Gama, Oliveira Lima, Graça Aranha, Magalhães de Azeredo, João Neves da Fontoura, Ribeiro Couto, Afonso Arinos de Melo Franco, Guimarães Rosa, Antonio Houaiss, Sérgio Corrêa da Costa, João Cabral, Alberto da Costa e Silva, Sergio Rouanet e José Guilherme Merquior. A obra inaugura importante parceria entre a FUNAG e a ABL, no intuito de promover publicações dedicadas à valorização da cultura brasileira e da diplomacia. O embaixador João Almino nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 1950. Bacharel em Direito pela UERJ, tem mestrado em sociologia pela UnB, doutorado em História Comparada das Civilizações Contemporâneas pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris (1980) e pós-doutorado no Centro de Estudos Avançados da USP. Ensinou na Fundação Universidade de Brasília (UnB), na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), no Instituto Rio Branco e nas universidades de Berkeley, Stanford e Chicago. Serviu nas Embaixadas do Brasil em Paris, México e Washington e ganhou vários prêmios.
Será!
A obra Será! (Editora Máquina de Livros, 2025) revive as crises, a genialidade e os bastidores da gravação do primeiro disco da banda Legião Urbana, contados por seu produtor José Emilio Rondeau. Brigas com produtores, tensão no estúdio e a entrada de um novo integrante alguns dias antes do início das gravações compõem a narrativa. Em meio ao caos instalado na EMI-Odeon, o jornalista, crítico musical e diretor de videoclipes José Emilio Rondeau assumiu a produção do que viria a ser o álbum de estreia da maior banda brasileira de todos os tempos. As músicas “Será”, “Ainda é cedo”, “Geração Coca-Cola”, “Por enquanto” e outros sucessos explodiram nas rádios em 1985. Quarenta anos depois, Rondeau mergulhou em suas memórias para revisitar os bastidores daqueles cinco meses de gravação neste livro (Será!), que reúne curiosidades e histórias nunca contadas, com detalhes saborosos. O livro tem prefácio assinado por João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso – os “padrinhos da Legião”, nas palavras de Renato Russo – e traz fotos raras de Mauricio Valladares registradas durante as gravações. O projeto gráfico de Bruno Drummond valoriza todos os elementos gráficos do encarte do disco, além de reproduzir na capa do livro o vinil em tamanho real.
A Cidade Ilhada
Nos contos breves de A Cidade Ilhada (Companhia das Letras), o acadêmico Milton Hatoum lança seus personagens num vaivém incessante, vivido ou apenas imaginado, entre Paris e Bangcoc, Barcelona e Berkeley, em meio a desencontros, exílios, fantasmas da família e da província. As histórias reunidas em seu primeiro volume de contos retratam relances de experiência vivida, recolhidos em tramas brevíssimas, de dicção enxuta em que tudo ganha nitidez máxima. As sementes das histórias de Hatoum não poderiam ser mais diversas: a primeira visita a um bordel em “Varandas da Eva”; uma passagem de Euclides da Cunha em “Uma carta de Bancroft”; a vida de exilados em “Bárbara no inverno” ou “Encontros na península”; o amor platônico por uma inglesinha em “Uma estrangeira da nossa rua”. Com mão discreta e madura, o imortal trabalha esses fragmentos da memória com maetria. Um dos principais nomes da literatura contemporânea brasileira, nascido em Manaus no dia 19 de agosto de 1952, com mais de 500 mil livros vendidos em diversos países, o premiado escritor, conhecido por misturar experiências e lembranças pessoais com o contexto sociocultural da Amazônia e do Oriente, ocupa a cadeira 6 da Academia Brasileira de Letras desde agosto de 2025.
Por uma Poética da Criatividade
Por uma Poética da Criatividade (publicado pela PUC-Rio em coedição com a Hucitec Editora) é o primeiro livro do padre Anderson Antonio Pedroso, SJ, reitor da PUC-Rio. Trata-se de um convite à reflexão crítica e existencial sobre a arte e a imagem técnica. Padre Anderson expõe a contribuição de Vilém Flusser aos estudos sobre a história da arte, apresentando a noção de arte do filósofo e, consequentemente, capturando seu imaginário particular. Através desta abordagem, oferece bases consistentes para compreender a relevância e a atualidade do pensamento flusseriano como meio revelador do mundo técnico-imagético moderno. De acordo com o autor: “O quadro mais amplo é, portanto, o de uma história da cultura, da qual Flusser propõe uma análise aprofundada por meio de um retorno às origens. Como sabemos, após a descoberta progressiva de outras civilizações, o desenvolvimento dos estudos etnológicos no século XIX contribuiu para reposicionar a arte no quadro mais abrangente da antropologia cultural. Isso colocou em questão a própria noção de arte, ao mesmo tempo em que o exótico e o primitivo exerciam uma fascinação sobre as vanguardas artísticas do século XX. Em vez de uma leitura linear e progressiva da história da arte, Flusser prefere uma releitura das bases teóricas e práticas do fenômeno artístico.”