A importância dos prêmios literários!
Participar de júris de literatura nos proporciona uma ampla
visão da produção editorial do período determinado; permite
conhecer novos autores; referenda autores já conhecidos e visualizamos um
mundo mágico de possibilidades de inúmeras e originais histórias.
O premiado, geralmente, alcança maior reconhecimento pelo destaque dado a obra vencedora.
Fui duas vezes membro do júri da Biblioteca Nacional, em
literatura juvenil (2018) e em literatura infantil (2025).
Desde a criação do prêmio Rio Literatura (2016 a 2019),
criado pela Fundação Cesgranrio, participei na pré-avaliação das
categorias Ficção e Ensaio.
Lembro com muito carinho, quando fui convidada por
Fabíola Farias para participar
do júri do prêmio João-deBarro (2016), promovido pela
Fundação Municipal de Cultura
de Belo Horizonte. Na categoria
texto literário, a obra vencedora
foi Homem de Lata, de autoria
de Edson Lopes Leite (Fortaleza
– CE). A originalidade da história do robozinho que
transformou a aridez do sertão nordestino por acreditar que estava em
Marte e a sua “amizade” com o
menino Sabiá, levou o prêmio.
Mas, outros textos também apresentaram qualidade
e criatividade e se destacaram.
Um texto especial, com um título enorme, chamou a minha atenção: O Dia em que a Minha Vida Mudou – Por causa de um chocolate comprado nas Ilhas Maldivas – de Keka Reis. Divertido, escrito
de maneira leve e cativante, o texto apresentava todas as angústias,
aflições e alegrias de uma menina pré-adolescente.
Editada pela Escarlate, a obra possui as características do
perfil editorial do selo da Companhia das Letras. Crescer pode ser
uma aventura! E que ótima surpresa ao conhecer os novos livros
de Keka, reunidos no “selo para leitores 8+”.
Papai – (Brinque-Book) Christian Robinson (texto e ilustrações), tradução de Jeferson Tenório. Como a afirmação na capa: Uma homenagem aos pais de todos os tipos, jeitos e espécies!, a paternidade é representada em muitas formas na natureza, o que desperta a curiosidade sobre os animais e mostra como a comparação com os pais humanos pode levar a situações bem divertidas. O “leite” do flamingo me surpreendeu!
Ilha Tempestade – (Pequena Zahar) Brian Floca escreveu e Sydney Smith ilustrou. Tenho grande admiração por Smith, suas obras (como autor e/ou ilustrador) são sempre especiais (recebeu o prêmio Hans Christian Andersen em 2024). O impacto das ilustrações que representam a tempestade se formando e chegando com uma potência imensa transforma a leitura em uma aventura surpreendente, com o suspense permanente se as crianças chegarão seguras ao abrigo. A figura da mãe (ou protetora), que não é mencionada no texto, representa a segurança do lar. Após a tormenta, com o céu limpo, lá está ela, acompanhando as crianças na aventura de viver.
A Festa no Céu – (Compor) Reconto de Tino Freitas com ilustrações de Romont Willy. Tino Freitas é um contador de histórias muito especial. Seu bom humor contamina e, uma história que poderia terminar de forma trágica, nos faz dar boas risadas. Uma delícia esse reconto e as ilustrações alegram ainda mais, enchendo o livro com cores e alegria. E o sapo esperto, quase... se deu mal. Parabéns à editora pela série Clássicos Compor para Crianças!