Setembro - 2026 - Edição 314
Vida a dois
Quando já não conseguiam conversar, Maria Flor e Emanuel Aragão trocaram cartas por 180 dias. O Amor Ainda é Possível? é um livro íntimo e potente sobre o amor e o amar nos dias de hoje. O que fazer frente às dificuldades que atravessam a vida a dois, quando a conversa já não encontra lugar no cotidiano? Diante desse cenário, o casal Maria Flor e Emanuel Aragão recorreu a um gesto antigo: escrever. Ao longo de seis meses, trocaram cartas na tentativa de dizer o que se acumulou em silêncio, e de sustentar, pela linguagem, um espaço de escuta possível. Assim nasceu O Amor Ainda é Possível?, um livro capaz de transformar a experiência íntima em reflexão compartilhada, atravessando temas como desejo, exaustão, filhos, redes sociais, rotina, tempo. Entre confissão e elaboração, intuição e análise, as vozes de Flor e Manu se misturam e se entrelaçam, dando forma a um texto em que o íntimo e o particular se abrem ao universal – e em que a pergunta que o atravessa encontra, nos leitores, novas ressonâncias. O Amor Ainda é Possível sai sob a égide da Editora Planeta.
Morada da memória
O Manifesto pela Leitura é uma obra da escritora e filóloga espanhola Irene Vallejo, autora do sucesso mundial O Infinito em um Junco. Publicado no Brasil em meados de 2026 pelas editoras Dublinense e Seiva, o livro funciona como uma defesa apaixonada do livro e da leitura como refúgio, ferramenta crítica e ato de resistência no século XXI. Para entender o impacto desta obra e a urgência de debater o hábito de ler nos dias de hoje: Livros são a morada da memória e portais para imaginar o futuro. Eles aguçam nossa maior força, a criatividade: a mesma que inventou o mito de Ícaro e os aviões, que sonha o impossível para torná-lo realidade. Ler desenvolve, a um só instante, a capacidade de enxergar com os olhos dos outros e com os olhos da nossa própria mente. Editado em parceria entre as editoras Dublinense e Seiva, este Manifesto pela Leitura é uma celebração apaixonada, para a qual estão convidados todos aqueles que acreditam no poder desses pequenos objetos que chamamos de livros: capazes de transformar as pessoas e, portanto, o mundo
Transformação
Em O Século dos Imbecis (Biblioteca Azul), o premiado escritor português Valter Hugo Mãe constrói uma fábula tão divertida quanto inquietante sobre o mundo em que vivemos. Entre o riso e a reflexão, o autor investiga as contradições humanas e questiona quais valores ainda podem nos salvar em tempos de excessos, intolerância e desorientação. No alto das montanhas ergue-se a Malandrinha, palacete que domina a paisagem de um pequeno vilarejo. Ali vive Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, conhecido por uma característica tão insólita quanto reveladora: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe a montanha, mais lúcido e brilhante se torna. Figura de fascínio para toda a comunidade, Agilulfo desperta paixões, ambições e ressentimentos, enquanto ao seu redor se desenrola uma trama marcada por luxúria, inveja, vergonha, desejo, ganância, empatia, solidariedade e estupidez. Ao mesmo tempo, as mulheres do vilarejo, com sua força silenciosa e sua capacidade de desafiar convenções, tornam-se peças fundamentais na transformação dos destinos individuais e coletivos.
Espelho aberto
Por muitos anos vivi sobre as águas, encarando tempestades reais e invisíveis. Era preciso ser forte, resistente, e garantir o sustento da minha família. A vida ali, entre o azul profundo e o céu aberto, ensinou-me sobre o poder da espera, da coragem silenciosa e do amor que se faz na rotina dura. Este livro O Espelho do Tempo (Filos Editora), é o resultado dessa descoberta. Um convite para olhar para si com gentileza, para aceitar as marcas da jornada e abraçar a maturidade como uma dança única, feita de calma, aprendizado e amor. Não escrevi este livro para contar o tempo, mas para atravessá-lo. Cada página é um mergulho naquilo que não coube nos dias apressados, no que ficou guardado entre silêncios, no que me transformou e mesmo assim permaneceu. Escrevi com as mãos marcadas pela vida, com os olhos que já viram o longe dos mares e com o coração que aprendeu entre perdas e reencontros que existir é mais do que passar, é sentir até o fundo. Este não é um livro de respostas. É um espelho aberto. E quem ousar atravessá-lo talvez encontre mais do que lembranças: encontre a si mesmo despido das pressas revestido de verdade.
Ponto de vista
Depois de se assumir gay para o mundo, Mateus, de quinze anos, vai passar as férias de verão com a família no sítio de seu avô, José Guimarães, no interior de São Paulo. O patriarca é um famoso escritor que está concorrendo ao prêmio máximo da literatura brasileira pela continuação de um de seus renomados romances – uma história de amor entre duas mulheres nos anos 1970. Mas, em meio à celebração, José é questionado por uma jornalista que investiga a verdadeira autoria de suas obras. Isso porque, há anos, a escritora Ana Cristina Figueiredo alega que ele se apoderou de sua história para escrever o livro que lhe rendeu tanto prestígio. Curioso para saber a verdade, Mateus se junta a sua prima Sofia para investigar o passado de seu avô e de toda a família. Ao descobrirem o diário escondido de sua falecida avó, perceberão que tudo o que entendiam como fato pode ser apenas um ponto de vista e que o amor talvez seja a maior de todas as revoluções. Do escritor brasileiro Lucas Rocha, A História Que Nunca Vivemos (Editora Alt) é um romance envolvente com toques de mistério sobre família, identidade, amor e literatura.
Abismo
Em seu novo romance, Quando, Carla Madeira explora temas como maternidade, culpa, homofobia e violência no Brasil da década de 1980, mostrando, com riqueza de recursos formais, porque se tornou a escritora mais vendida do país. Viridiana é a mãe amorosa e atenta de Margarida, Valquíria e Tito. No calor de um acontecimento trágico, será capaz do ato impensado: denunciar o próprio filho à polícia, o que abre um abismo entre eles. Depois de vinte anos sem se verem, quando o tempo parece ter dissolvido todas as possibilidades, Carla Madeira nos colocará diante da extraordinária força dos afetos. “Este livro é uma leitura aguçada e potente de um tecido do Brasil e também um convite para outras tramas do nosso tecido social.” – Rita von Hunty (na orelha de Quando). Carla Madeira nasceu em Belo Horizonte em 1964. Largou um curso de Matemática e se formou em Jornalismo e Publicidade. Foi professora de redação publicitária na Universidade Federal de Minas Gerais, e sócia e diretora de criação da agência de comunicação Lápis Raro. Pela Editora Record, é também autora de Tudo é Rio, A Natureza da Mordida e Véspera