Opiniões Por Arnaldo Niskier

O poder do Dr. Roberto Marinho

A trajetória do jornalista e empresário Roberto Marinho é o tema do livro O Poder Está no Ar, de Leonencio Nossa, lançamento da Editora Nova Fronteira. É o primeiro volume da biografia do grande empreendedor do setor da comunicação no Brasil. Tive o prazer de conviver com ele, participando de grandes eventos culturais pelo país e também durante as reuniões e chás da Academia Brasileira de Letras, onde fomos companheiros por mais de uma década. Em termos profissionais, sempre estivemos em lados opostos – ele na TV Globo e no jornal O Globo, e eu na TV Manchete e na revista Manchete. Mas a disputa midiática pela audiência televisiva ou pela venda de exemplares de jornais e revistas nunca atrapalhou a nossa grande amizade, que perdurou até 2003, ano de sua morte, aos 98 anos de idade.
Em 2005, junto com Antônio Carlos de Almeida Braga, Joaquim Falcão e Mauro Salles, participei do projeto que desaguou na edição do livro Dr. Roberto – 100 anos no esporte, na educação, na cultura, no jornalismo, lançado pela Edições Consultor. Era uma homenagem ao centenário de nascimento do batalhador que deixou como legado o mais importante complexo jornalístico e de entretenimento da América Latina, que inclui os jornais O Globo e Extra, a Rádio CBN e a Rede Globo de Televisão (que cobre todo o território nacional). Cada um dos autores da obra se deteve em uma área de atuação do jornalista e empresário, cabendo a mim mostrar a sua dedicação à educação brasileira.

Assumi o desafio de escrever sobre Roberto Marinho e garanto que foi uma tarefa relativamente fácil, já que conhecia toda a sua obstinação em oferecer opções para que o indivíduo pudesse ter acesso a um ensino de qualidade. Como Nos anos 1970, integrei grupos de trabalhos no Programa Nacional de Teleducação (Prontel), do Ministério da Educação e Cultura (MEC), produzindo os primeiros estudos para implantação da educação a distância no Brasil, e me chamou a atenção o pioneirismo de Roberto Marinho quando o tema era educação. A prova disso foi a criação, em 1977, da Fundação Roberto Marinho, para mobilizar os veículos de comunicação das Organizações Globo em favor do desenvolvimento social, com foco na educação. Desde então, foram muitos projetos e todos com grande sucesso.
Um dos primeiros frutos foi a criação do Telecurso, em 1978, o programa educacional cujo objetivo era ampliar o acesso à educação, oferecendo escolaridade básica de qualidade pela televisão, através de uma linguagem, formato e modelo de atuação inovadores. O resultado todos puderam verificar com o decorrer dos anos: conseguiu amenizar graves problemas que impactavam de forma negativa os sistemas de ensino, como as distorções relacionadas a idade e série, evasão escolar e defasagem na aprendizagem. A aceitação era tão positiva que chegou a atingir oito mil turmas, funcionando simultaneamente em todos os estados brasileiros.

Vinte anos depois, com os programas da Fundação já cristalizados no imaginário do brasileiro, surgiu o Canal Futura, formando uma rede com milhares de instituições. A sua programação é usada como ferramenta de educação, possibilitando o acesso ao conhecimento e incentivando a cidadania e a participação social. Atualmente, utilizo esse instrumento digital: o meu programa Identidade Nacional, com entrevistas sobre educação e cultura, produzido com a chancela do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), é veiculado no Canal Futura, com excelente aceitação.