Opiniões Por Arnaldo Niskier

Guerreiro da educação

Foi uma homenagem merecida. O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) de São Paulo em parceria com o jornal O Estado de São Paulo entregou ao educador Paulo Nathanael Pereira de Souza o título de Guerreiro da Educação de 2009, numa cerimônia muito concorrida, que homenageia também o jornalista Ruy Mesquita, recentemente falecido.
O laureado, que recebeu também o título de professor emérito, sempre lidou com educação. Deu sua primeira aula aos 17 anos de idade, na cidade de São Carlos, por inspiração do professor Julian Fauvel. Foi professor de escola normal e professor efetivo de História no ensino secundário oficial de São Paulo, além de diretor de colégio estadual.
O professor Paulo Nathanael hoje pertence a várias academias, além de ter sido presidente do CIEE por dois mandatos sucessivos. Foi membro do Conselho Federal de Educação. Sobre educação, afirma que ela envelhece a olhos vistos: “Não podemos defender a educação burocrática, organizada pela visão conservadora e controladora de educadores e administradores de plantão. Não podemos defender um ensino ‘diário oficializado, mas sim uma educação voltada para os novos saberes, para as novas tecnologias. Cada escola, daqui para o futuro, deve transitar do magister dixit para ambientes de discussão e pesquisa, em que a internet e as bibliotecas se associarão aos mestres na construção do saber.”
Na sua opinião, o povo brasileiro continua deseducado. Carecemos de pertinências. Para criar cerca de 7 milhões de vagas nas creches há muito o que investir. Por outro lado, metade dos que se formam no ensino fundamental não se matricula no ensino médio, pedindo uma reforma que não sai das gavetas do Ministério da Educação.
É natural, pois, que o ensino superior seja herdeiro de todas essas carências. Houve uma explosão expansionista a partir de 1968, mas sem encontrar uma solução razoável. Estamos em busca disso.
Em matéria de alfabetização, o panorama não é nem um pouco risonho. Temos milhões de analfabetos funcionais, a obter diplomas sem saber ler, escrever e contar com boa aceitabilidade. Estamos longe de resolver as mazelas da educação.
O professor Paulo Nathanael aproveitou o ensejo para falar da sua experiência no CIEE, “a maior ONG a funcionar na América Latina”. Desempenha com muita competência como ponte entre os sistemas de ensino e o mercado de trabalho. É um gigante que todos hoje admiram e aplaudem”. Foi com essas palavras que o homenageado terminou o seu discurso, recebendo palmas demoradas da plateia.