Literatura Infantil

Por Anna Maria de Oliveira Rennhack

Começar de novo e seguir em frente!

(...) Teu (...) trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

(...) Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

(Francisco do Espírito Santo Neto – ditado por Hammed)

Eventos que aconteceram no final do ano de 2018 recuperaram a minha esperança naqueles que amam os livros e fazem da leitura e da literatura o foco do seu trabalho. O melhor de tudo é estar próxima dessas pessoas que, como eu, acreditam no poder transformador da literatura.

Relembro as coisas boas, como um pequeno relatório de atividades e como motivação para o ano novo que chega cheio de expectativas:

Dia 30 de novembro – Lançamento do livro A Arte dos Contos, publicado pela Multirio, culminância do projeto de igual nome, com a participação da Coordenação das Escolas de Turno Único e a Gerência de Leitura e Audiovisual da Secretaria Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro. Após a leitura de textos selecionados, os segmentos adultos das escolas (professores, bibliotecários, gestores, coordenadores pedagógicos, funcionários de apoio), participaram de rodas de conversa e produziram os contos que foram selecionados e publicados. Convidada a participar da saudação aos autores, ressaltei a importância da leitura interpretativa, da fantasia, da imaginação e da criatividade, o que nos faz crescer em humanidade.

Dia 4 de dezembro – Entrega dos Prêmios Literários 2018, Fundação Biblioteca Nacional. Participei com Beto Silva e Tânia Piacentini do júri de Literatura Juvenil. A obra premiada foi Os Filhos do Deserto Combatem na Solidão, de Lourenço Cazarré (CEPE – ilustrações de Luísa Vasconcelos). Na categoria Literatura Infantil, a vencedora foi Lúcia Hiratsuka, autora e ilustradora de Chão de Peixes (Pequena Zahar).

Dia 14 de dezembro – Na minha universidade, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que se recupera de inúmeras dificuldades, participei, com Ninfa Parreiras e Elisa Medeiros do evento Edição Comentada: Estudos sobre o Livro. O tema da nossa mesa foi Editar para Crianças e Jovens. O encontro, coordenado por Naiyana Ferraz, é promovido pelos alunos que integram o Laboratório de Publicações Lima Barreto, do Instituto de Letras. Ainda no dia 14 de dezembro, reencontrei amigos queridos, no evento Bibliotecas Transformadoras e um Novo Olhar para o Futuro, promovido pela Recode, na Biblioteca Parque do Rio de Janeiro. Mais uma vez o mercado editorial foi o foco do debate e a importância da literatura e das bibliotecas como disseminação de cultura e de conhecimento. Volnei Canonica chegava do Sul, onde inaugurou o Instituto Quindim com uma biblioteca infantil com cerca de 5 mil livros. Raquel Menezes, presidente da Libre – Liga Brasileira de Editoras, que congrega editoras independentes, ressaltou a falta de interligação entre os diversos segmentos do mercado livreiro, desde o autor/editor, até chegar ao leitor. Renata Costa, do Plano Nacional do Livro, Leitura e Bibliotecas, do Ministério da Cultura, relatou os eventos realizados pelo Minc como estímulo à criação dos Planos Municipais do Livro, Leitura e Bibliotecas. Completo a página com duas belas obras que fortalecem a nossa esperança no futuro! Duas incríveis metáforas, a dos peixinhos enjaulados e a dos passarinhos engaiolados. Duas histórias do nosso tempo. Ninguém se lembra como as coisas aconteceram... mas aconteceram!

Se os Tubarões Fossem Homens – Bertold Brecht, tradução de Christine Röhrig, ilustrações de Nelson Cruz Olho de vidro – Se os tubarões comandassem o mar, preparariam todo o oceano para comerem muitos peixinhos e, inadvertidamente, esses peixinhos até pensariam que estavam sendo muito bem cuidados e que é ótimo ser comida de tubarão! A discussão, através de um texto repleto de ironia, é sobre a organização social do mundo, os valores éticos e as relações de poder.

Uma História pelo Meio – Elvira Vigna, ilustrações de Raquel Matsushita (Positivo) – Um ovo que se quebra aos pouquinhos no ninho; uma menina que lê o livro do irmão mais velho; um homem que vende passarinhos; passarinhos que comem insetos; insetos que comem a lavoura e que o homem que vende passarinhos não entende essa tal de cadeia alimentar; a menina que vira lagarta, que come mamão; muitas, muitas páginas em branco para a história recomeçar. Tudo vai ficando pelo meio... e tudo nos leva a refletir.