Literatura Infantil

Por Anna Maria de Oliveira Rennhack

E a vida continua...

Não sei o que nos espera. Gostaria de adivinhar o futuro e acalmar meu coração. O importante é continuar acreditando nos nossos sonhos que valorizam a educação e a cultura e pensar em tudo que o querido e saudoso Bartolomeu Campos de Queirós nos ensinou. Ele alertava sobre o poder da palavra, que, assim como pode incentivar e valorizar, pode ferir e magoar. A literatura liberta! Que as palavras sejam belas e incentivadoras, trilhando o caminho da literatura com esperança e fantasia. Que Fahrenheit 451, seja apenas um filme de ficção, escrito por Ray Bradbury em 1953. Sempre haverá a proteção à literatura, afinal, se Azar Nafisi conseguiu ter um grupo de leitura Lendo Lolita em Teerã (Editora Best Seller), tudo é possível!

Os maiores expoentes da literatura infantil estão sendo alvos de interpretações equivocadas de seus textos, comprovando a importância de um projeto de leitura abrangente e objetivo. Falta leitura interpretativa, falta fantasia, falta imaginação e criatividade, o que nos faz crescer em humanidade. Reafirmo a ideia de Volnei Canonica: “o imaginário do adulto foi seqüestrado.” Precisamos resgatá-lo e, para isso, precisamos de todas as manifestações culturais; da ampliação da educação; da formação de professores, de agentes de leitura e de dinamizadores culturais; de encontros de leitura e de literatura; de bibliotecas, salas de leitura e acervos variados; precisamos de muitas vozes. Cada grupo se fecha na sua bolha, quando deveríamos romper as limitações e pensarmos em união, em, repito, humanidade!

“Todos juntos somos fortes,
somos flecha, somos arco,
todos nós no mesmo barco,
não há nada a temer.
Ao meu lado há um amigo que é preciso proteger!
E no mundo dizem que são tantos
saltimbancos como somos nós!

(Os Saltimbancos – autor e tradutor Chico Buarque, ilustrações de Ziraldo, de Sérgio Bardotti, músicas de Luiz Enriquez Bacalov – Editora Autêntica)

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) participou, com exposição e leitura dos livros premiados em 2018, do evento XIII Arte em Laranjeiras e Cosme Velho, que aconteceu de 19 a 28 de outubro.

Organizado por Karen Acioly, o Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL) aconteceu entre 12 e 21 de outubro no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto. O dia 20 foi dedicado à literatura infantil e juvenil e duas mesas trataram de temas atuais e preocupantes.

Em Conversa literária – literatura infantil e juvenil hoje – com a coordenação de Cintia Barreto e a participação de Alexandre Damascena, Georgina Martins e Maximiliano Torres, os temas foram o acesso à cultura, as questões de gênero e o feminismo nas obras infantis.

Em Censura, Jabuti e outras pedradas – com a coordenação de Alexandre de Castro Gomes, Volnei Canonica, Anna Rennhack e Marília Pirillo ressaltaram em suas falas a resistência à censura que vem atingindo livros adotados, com reinterpretações equivocadas de narrativas e a importância da leitura interpretativa, da disseminação da leitura e da literatura no combate ao preconceito e à discriminação.

Completando a nossa página, duas histórias de passarinhos, lembrando, com carinho, de Mario Quintana e o seu Poeminho do contra:

“Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!”

(Quintana, Mario. Poesia completa. Nova Aguillar)

Casa de Passarinho – texto de Ana Rosa Costa, ilustrações de Odilon Moraes (Positivo) – “A vivacidade do traço rascunho de Odilon Moraes e o texto veloz de Ana Rosa Costa constroem uma narrativa que oscila entre a realidade e a fantasia.” A sensação é de a criança que, ao ouvir a história, vai interpretando e criando as cenas com as suas referências e vivências. Um jogo permanente de real e ilusório que enriquece a imaginação.

Antonia – texto de Anke de Vries, ilustrações de Piet Grobler, tradução de Camila Werner (Brinque-Book) – Antonia adorava cantar. Mal o dia amanhecia e ela saudava a aurora com um trinado animado e feliz. Os outros pássaros é que não gostavam nada de acordar cedo com a cantoria da avezinha. E foram tantas as reclamações que Antonia resolveu partir. Disfarçada, retornou para saber como os antigos companheiros estavam. Descobriu que todos estavam tristes porque sentiam muita falta da cantoria da amiga que tinha partido. Retirando o disfarce, Antonia regressou ao convívio dos amigos e adivinhem... Está cantando melhor do que antes!