Lançamentos

Homem da porteira

Conhecido como um dos maiores cantores sertanejos de todos os tempos, dono de carisma singular, Sérgio Reis já foi Johnny Johnson. Já cantou rock, já foi funcionário de uma companhia de seguros e estoquista no Bazar Lorde. Já foi fazendeiro, estrela de cinema e dono de pousada no Pantanal. Seu primeiro instrumento musical foi um pandeiro. Sua escola de música, as farras e serestas em família. Sérgio Reis: uma vida, um talento de Murilo Carvalho (Tinta Negra – Grupo Editorial Zit), biografia do cantor que também é ator e político, apresenta estes e outros detalhes surpreendentes de uma vida repleta de aventuras, conquistas e descobertas. Narra desde a história de seus avós paternos, que migraram da pequena vila italiana onde viveu o autor do clássico infantil Pinocchio, até a homenagem recente que recebeu na aldeia Ki-Kre-Tum, uma reserva caiapó do Pará. Passa pelo envolvimento de Sérgio com a Jovem Guarda, a adolescência a bordo de uma vespa, a devoção a São Judas Tadeu, a viagem a barco pelo norte do Brasil, em 1968, a famosa participação ao lado de Almir Sater na novela O Rei do Gado, como a dupla Pirilampo e Saracura – e em outras tantas novelas juntos, em leal parceria –, a amizade sincera com Renato Teixeira e o acidente vascular cerebral que teve em pleno voo, em 2002. Ao mesmo tempo, o livro compõe uma saborosa viagem pelo cenário cultural de diferentes épocas do Brasil. Ao fazer isso, o livro resgata figuras fundamentais das artes brasileiras, como Teddy Vieira, o mais importante letrista de músicas sertanejas e responsável pelo sucesso de vários artistas caipiras, e João Pacífico, poeta fundamental do cancioneiro caipira-sertanejo.

Aqui e Agora

Em Sapiens, Yuval Noah Harari mostrou de onde viemos; em Homo Deus, para onde vamos. 21 Lições para o século 21, tradução de Paulo Geiger (Companhia das Letras), explora o presente e nos conduz por uma fascinante jornada pelos assuntos prementes da atualidade. Seu novo livro trata sobre o desafio de manter o foco coletivo e individual em face a mudanças frequentes e desconcertantes. Em teoria, qualquer um pode se juntar ao debate sobre o futuro da humanidade, mas é muito difícil manter uma visão lúcida. Bilhões de nós dificilmente podem se permitir o luxo de investigá-las, pois temos coisas mais urgentes a fazer, como trabalhar, tomar conta das crianças, ou cuidar dos pais idosos. Se o futuro da humanidade for decidido em sua ausência, porque você está ocupado demais alimentando e vestindo seus filhos – você e eles não estarão eximidos das consequências. Isso é muito injusto, mas quem disse que a história é justa? Como historiador, não posso dar às pessoas alimento ou roupas – mas posso tentar oferecer alguma clareza, ajudando assim a equilibrar o jogo global. Se isso capacitar ao menos mais um punhado de pessoas a participar do debate sobre o futuro de nossa espécie, terei realizado minha tarefa. “Meu primeiro livro, Sapiens, investigou o passado humano, examinando como um macaco insignificante dominou a Terra. Homo Deus, meu segundo livro, explorou o futuro da vida em longo prazo, contemplando como os humanos finalmente se tornarão deuses, e qual pode ser o destino final da inteligência e da consciência. Neste livro, quero analisar mais de perto o aqui e o agora. Meu foco está nas questões atuais e no futuro imediato das sociedades humanas”.

Compêndio Mítico

Numa noite quente de 1733, uma mulher, oculta num burel de franciscanos, sai às escondidas do cemitério de pretos, no convento de Santo Antônio. Seu destino é a Rua do Egito, viela onde é, hoje, a Rua da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro. À margem do traçado oficial da cidade de então, composto por apenas duas dezenas de casas simples, o logradouro era morada de ciganos e cristãos-novos. Ou, pelo menos, é assim na imaginação do escritor Alberto Mussa. Há segredos e superstições, lendas e traições, numa trama policial que resgata parte da história do Brasil popular para refletir sobre algumas questões mitológicas universais – como a ideia, por exemplo, de que o adultério é fagulha originária de grande parte das guerras. Com A Biblioteca Elementar (Editora Record), o carioca Alberto Mussa põe ponto final em seu Compêndio Mítico do Rio de Janeiro, conjunto de cinco romances nos quais investiga, por meio de histórias policiais, a confluência das tradições ameríndias, africanas e do Brasil popular na composição do imaginário e do panorama mitológico da cidade. Com os romances anteriores, Mussa conquistou alguns dos principais prêmios literários da atualidade, como o Casa de Las Américas e o Machado de Assis, além de ser sido traduzido para inúmeros idiomas. A natureza do Mal e as codificações sexuais, temas centrais em sua obra, ganham ainda mais destaque neste novo livro, que ilumina um pressuposto inquietante: a mulher, no fim das contas, parece sempre a culpada. Alberto Mussa conclui, com este A Biblioteca Elementar, o “Compêndio mítico do Rio de Janeiro”, série de cinco romances policiais, um para cada século da história carioca.

Périplo

Revelado pelo Prêmio Sesc de Literatura de 2006, desde então André de Leones construiu uma sólida carreira literária: foram cinco romances e diversas participações em coletâneas. Em Eufrates (José Olympio Editora), o amadurecimento como escritor é inegável. Um bom texto literário é capaz de revelar e esconder, despertar desejos e reprimir lições, iluminar e ao mesmo tempo dissimular, e é exatamente isso que o olhar arguto do narrador de Eufrates faz, elogia Jacques Fux. Neste romance com narrativa quase cinematográfica, Leones usa como cenário acontecimentos no eixo Brasil-Israel entre os anos de 1991 e 2013, e passa pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belém, Buenos Aires e Jerusalém. “Quando comecei a esboçar Eufrates, tinha em mente um tipo específico de estruturação com a qual já havia lidado em dois romances anteriores, Como Desaparecer Completamente e Terra de Casas Vazias”, explica ele. “Gosto dessas narrativas dispersas, com vários personagens e histórias correndo paralelas.” Jonas e Moshe são os personagens centrais dessa teia narrativa que transita e se multiplica por diferentes tempos e espaços. Ao longo do percurso, relações amorosas começam e se desfazem, afetos se transformam, laços familiares são esmiuçados, o sexo, a morte, tudo desliza e se deixa ver para que o leitor chegue até o mais íntimo de cada um. Aqui, Leones conta a história de uma amizade construída a partir do encontro de diferenças e situações cotidianas envolvendo pessoas comuns e suas contradições. “As pessoas comuns e a vivência ordinária, por assim dizer, são coisas que me atraem”, confessa o autor. “Eu não saberia dizer de onde vem isso. Talvez porque eu goste de prestar atenção nos outros, nas mínimas coisas que fazem e dizem, nos lugares onde vivem, e por aí afora.”

Notícias

O Rio de Janeiro nas Notícias da Gazeta de Lisboa de Carlos Francisco Moura (Editora do Real Gabinete Português) reproduz na íntegra todos os textos que, direta ou indiretamente, referem o Rio de Janeiro, publicados no século XVIII no mais importante e longevo jornal histórico português. Este primeiro volume abrange o período de 1715 a 1750, e divide-se em duas partes. A parte introdutória, destaca os principais assuntos objeto das notícias: Governadores e governança, bispos e religião; atividades marítimas, as frotas do Rio de Janeiro, produtos exportados: açúcar, tabaco, couros, madeiras e, principalmente, ouro; naufrágios; o incêndio, explosão e naufrágio da nau Rainha dos Anjos, na Baía da Guanabara; pirata e corsários; brasileiros levados prisioneiros para Marrocos; naus guarda-costas. Autores e livros; o Exame de Artilheiros do sargento-mor José Fernandes Pinto Alpoim. Festejos públicos nas comemorações reais: luminárias, fogos de artifício, cavalhadas, touradas, bailes novos, saraus, serenatas, loas, comédias, elogios poéticos; a inauguração do Convento de Santa Teresa e os outeiros apolíneos. Viajantes ilustres: o embaixador enviado à China, Souza e Menezes, e a melhor casa do Rio de Janeiro; Monsenhor Mezzabarba, Patriarca de Alexandria e Visitador Apostólico da China. Maria Úrsula, o mais famoso soldado do Brasil na Índia. Rodrigo de Freitas e sua lagoa. Alunos brasileiros e angolanos na Universidade de Coimbra. Frei Fabiano de Cristo. Quilombo em Minas Gerais. Legislação: proibição às mulheres do Brasil de irem para o Reino; proibição de navios estrangeiros nos portos do Brasil. A língua no século XVIII merece destaque: modos de dizer e maneiras de escrever, termos religiosos e termos empregados nas atividades marítimas.

Vida saudável e feliz

Jornalista e apresentador do programa “Bem estar”, da TV Globo, Fernando Rocha define seu primeiro livro, Na Medida do Possível, como um “não manual para uma vida saudável e feliz”. Ao longo das 150 páginas da obra, não é difícil entender por quê. Rocha não impõe regras ou dá dicas de dietas da moda, muito menos tenta doutrinar seu leitor. Com muito bom humor, linguagem coloquial e uma prosa que cria empatia imediata com quem está lendo, o mineiro fã da costelinha frita da mãe, de pão de queijo e de cerveja de garrafa, abre o jogo em uma conversa franca, cujo produto final chega às livrarias pela BestSeller. No texto, Fernando contempla o esforço para emagrecer 20 quilos no projeto apelidado de Afina, Rocha; narra a experiência no palco da Dança dos Famosos, quadro popular do Domingão do Faustão; e conta ainda sobre a preparação para correr a São Silvestre – ele já cruzou a linha de chegada cinco vezes. “Quis mostrar três desafios que são comuns às pessoas, de uma forma geral: emagrecer, correr e dançar. As pessoas não dançam por vergonha, não correm por falta de iniciativa e não fazem atividades físicas por preguiça”, diz Fernando em entrevista ao Blog da Record. O apresentador fala ainda sobre um episódio de depressão que acabou atrasando um desses desafios – e é uma condição da qual ele se trata até hoje. Um relato sincero, ao mesmo tempo leve e divertido, que cativa até o leitor mais desajeitado, ou descompassado, a querer entrar no ritmo. E que mostra que o importante é estar bem, mesmo sem se adequar às medidas das passarelas.