Lançamentos

Mulher de fibra

Em Minha História, Michelle conta em detalhes a infância em uma região pobre de Chicago, a relação com a família e a formação de sua personalidade. Narra também a entrada para a Universidade Princeton, a adaptação numa universidade de maioria branca, o primeiro emprego como advogada em uma renomada firma de advocacia, onde conheceu e iniciou o relacionamento com Barack Obama. Com franqueza e delicadeza, a ex-primeira-dama relata ainda o casamento com Obama, a rotina atribulada do marido e a dificuldade em engravidar. O nascimento das filhas Malia e Sasha e a decisão de Obama em concorrer à presidência dos Estados Unidos reúnem alguns dos momentos mais reveladores do livro. Os oito anos passados na Casa Branca e os desafios de estar sempre nos holofotes são abordados com impressionante lucidez. Michelle também não se esquiva de analisar o fim do mandato de Obama e a transição para o governo de Donald Trump. Sem perder o otimismo, fala dos planos para o futuro, emite sua opinião sobre a gestão do presidente americano atual e reforça a mensagem de esperança que permeia todo o livro. Becoming, o título em inglês, sugere justamente a ideia de transformação pessoal, e Michelle Obama ensina a todos que é possível construir a sua própria história. Minha História, de Michelle Obama, sai sob a égide da Editora Objetiva.

O Dândi da TV

Em 1969, Jô Soares lança o seu primeiro one-man show, Todos Amam um Homem Gordo, no teatro da Lagoa, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, depois do enorme sucesso na Família Trapo, estreia na Globo, no programa que revolucionou os humorísticos na TV brasileira, Faça Humor Não Faça Guerra. Na aguardada segunda parte do Livro de Jô: uma autobiografia desautorizada (Companhia das Letras), ele conta tudo que aconteceu desde então, até chegar ao talk show que mudou o fim de noite dos brasileiros. Jô Soares representou mais de duzentos personagens humorísticos e criou dezenas de bordões. No seu programa de entrevistas – que durou 28 anos – fez cerca de 14 mil entrevistas. Dirigiu 24 peças de teatro e fez dez peças como ator. Escreveu oito livros que já venderam 1,5 milhão de exemplares no mercado brasileiro. No volume 2 desta autobiografia desautorizada, revela como chegou a distribuir hóstias ao lado de Dom Hélder Câmara, sua vida de motoqueiro encerrada com dois acidentes, o processo que sofreu durante o período da presidência do general Emílio Garrastazu Médici (e como foi absolvido com um testemunho do poeta Carlos Drummond de Andrade), a saída para o SBT no auge do sucesso na Globo, os casamentos, a perda do filho Rafael, além de sua admiração profunda por figuras – gordas – como Orson Welles e Winston Churchill.

Confidências no metrô

Em sua primeira narrativa longa após dois livros de contos, Zé McGill conta a história de um tradutor brasileiro que vai morar em Paris e é abordado, dentro do vagão do metrô, por um estranho senhor que lhe conta sobre um assassinato ocorrido na cidade de Saquarema, em 1973. A partir dessa abordagem, o protagonista embarca numa jornada obsessiva em que busca esclarecer os detalhes em torno do suposto segredo que lhe foi confidenciado no metrô. Saquarema Sete Três (Tinta Negra Bazar Editorial) é um thriller com boas doses de humor; um soco disparado contra a boca do estômago, do qual leitores terão dificuldade em se livrar durante e após a leitura. No ritmo fluido da escrita sem afetações de McGill, o cenário parisiense de 2015 se confunde com elucubrações e delírios sobre Saquarema e o ano de 1973. A condição de estrangeiro, o exílio e a solidão se abraçam a álcool, sonhos e pesadelos, ditadura militar, música, cinema e literatura. Poderia, ou deveria, o narrador tentar descobrir o que, afinal, aconteceu na ensolarada cidade litorânea do interior do estado do Rio? “Bom dia, eu matei um homem no verão de 1973, em Saquarema. Sei que você não me conhece nem me perguntou nada, mas é que eu precisava tirar isso de dentro do peito. Nunca contei esse segredo a ninguém, e já faz tanto tempo… Você não tem idade para ter conhecido o morto, portanto, não se preocupe demais. Espero não ter estragado o seu dia.”

Memórias

Uma vida que conjuga pensamento e ação. Desse modo conciso podemos definir a biografia de Bolívar Lamounier, estudioso das dinâmicas da política e da sociedade brasileiras. Em De Onde, para Onde (Global Editora), o cientista político revisita sua própria história, partindo da infância na mineira Dores do Indaiá, onde se envolveu no negócio de sua família, uma olaria, e, ajudando os irmãos na fabricação de tijolos, já, de certa maneira, começou, talvez inconscientemente, a moldar sua visão luminosa acerca dos elementos estruturantes de nossa república. Os apontamentos acerca de sua trajetória pessoal misturam-se naturalmente com os destinos da nação. A experiência como estudante universitário nos Estados Unidos, a vivência de dez anos no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e a atividade docente na PUC-SP foram vividas com a intensidade de quem sempre se inquietou com os rumos que o país tomava, como a leitura do livro comprova entre outros feitos, salta aos olhos a participação ativa como membro da Comissão “Afonso Arinos”, nomeada pela presidência da República em 1985 para elaborar o texto da Constituição brasileira que seria promulgada em 1988, documento fundamental para a estruturação da vida de todos os brasileiros. De onde, para onde conduz o leitor a melhor compreender diversos paradigmas de nossa história.

Inéditos

Nita Freire se casou com Paulo Freire em 1986 e, desde sua morte, em 1997, assumiu o compromisso de disseminar a obra do educador. Seu trabalho mais recente é a reorganização, com a inclusão de textos inéditos, do livro Pedagogia do Compromisso: América Latina e Educação Popular, que a Editora Paz & Terra acaba de lançar. A obra reúne transcrições de entrevistas, conferências e discursos feitos de improviso pelo patrono da educação não só no Brasil, mas também na Argentina, Chile e Uruguai, além de um manifesto em homenagem ao povo da Nicarágua. Um dos textos é o conteúdo de uma de suas últimas palestras, em 1996, na Argentina, apresentada para uma plateia de 3,5 mil pessoas no Estádio Deportivo de San Luis. Nesta ocasião, ele falou sobre sua visão otimista do futuro: “Não é possível conceber um ser humano desesperançado. O que sim, podemos conceber, são momentos de desesperança. Durante o processo de busca, há momentos em que nos detemos e dizemos para nós mesmos: não há nada que fazer. Isto é compreensível, compreendo que se caia a essa posição. O que não compartilho é que se permaneça nessa posição. Seria como uma traição à nossa própria natureza esperançosa e inquietamente buscadora.” Os textos que compõem o livro datam do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, em que Freire reafirma suas convicções em relação à politicidade da educação, ao seu sentido ético e estético e ao significado da esperança como motor da prática de educadores progressistas.

Luta pela igualdade

Vivian já não consegue mais ser indiferente ao ambiente tóxico do colégio. Então, ela decide protestar. Inspirada pelo movimento criado nos anos 1990 pela da banda punk feminista da Riot Grrrl, Vivian cria um zine anônimo – Moxie – para recrutar outras meninas que, assim como ela, também estejam insatisfeitas com a postura dos rapazes. A ideia é mostrar que as garotas não estão sozinhas, que elas não são um objeto, nem inferiores a ninguém. As ações começam pequenas, mas, à medida que mais mulheres se engajam na causa, o movimento se fortalece. São organizadas manifestações contra o código de vestimenta injustamente aplicado e contra um “concurso de beleza” considerado tradição no colégio, em que os homens escolhem algumas garotas para competirem entre si para o posto de “aquela que todos ficariam” e até contra casos de assédio sexual. Ao longo das páginas, Jennifer Mathieu explica, com uma linguagem jovem e acessível, o conceito do feminismo. Moxie (Verus Editora) é sobre garotas de um mesmo colégio, onde muitas delas nunca se falaram, mas acabam unidas pelo mesmo objetivo: lutar pela igualdade de direitos dentro do ambiente escolar. Nessa história, garotas apoiam garotas e vão à luta contra o machismo. No fim do livro, a autora deixa uma lista com dicas de leituras e de sites para se aprofundar sobre o feminismo.