Lançamentos

Subterrâneos da história

Valendo-se de uma ampla reunião de dados estatísticos, Lilia M. Schwarcz examina algumas das raízes do autoritarismo brasileiro, bastante antigas e arraigadas, embora mascaradas pela mitologia nacional. Os brasileiros gostam de se crer diversos do que são. Tolerantes, abertos, pacíficos e acolhedores são alguns dos adjetivos que habitam esse universo. Neste livro Sobre o Autoritarismo Brasileiro (Companhia das Letras), urgente e necessário, Lilia M. Schwarcz reconstitui a construção dessa narrativa oficial que acabou por obscurecer uma realidade bem menos suave, marcada pela herança perversa da escravidão e pelas lógicas de dominação do sistema colonial. Ao investigar esses subterrâneos da história do país – e suas permanências no presente – a autora deixa expostas as raízes do autoritarismo no Brasil, e ajuda a entender por que fomos e continuamos a ser uma nação muito mais excludente que inclusiva, com um longo caminho pela frente na elaboração de uma agenda justa e igualitária. Lilia M. Schwarcz é professora titular no Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo e Global Scholar na Universidade de Princeton (EUA). Seu livro As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos ganhou o prêmio Jabuti de Livro do Ano, em 1999. Além deste, publicou também: O Espetáculo das Raças, O Sol do Brasil (prêmio Jabuti de melhor biografia, 2009), D. João Carioca – história em quadrinhos sobre a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, em coautoria com Spacca –, entre outros e Um Enigma Chamado Brasil, com André Botelho (prêmio Jabuti ciências sociais, 2010). Dirigiu a coleção História do Brasil Nação em seis volumes, sendo três volumes indicados para o Jabuti.

Ser mulher hoje

Fui (Editora Tinta Negra) de Nilza Rezende, narra a trajetória de uma mulher que abandona a estabilidade de uma professora universitária para viver uma aventura transformadora em Malta, mesclando ficção e literatura de viagem. À primeira vista, a sinopse de Fui pode parecer uma versão latina de Comer, Rezar e Amar, o best-seller de Elizabeth Gilbert que ganhou as telas com Julia Roberts no papel de protagonista. Mas Fui vai além disso. A originalidade deste romance de Nilza Rezende se desdobra página a página, na construção de uma personagem que diz muito sobre as angústias e impasses de ser mulher hoje. Com uma narrativa leve e envolvente, o livro tece também um retrato mordaz e ácido das relações no Brasil contemporâneo. Feminista sem ser militante e agridoce sem ser piegas, este livro é uma viagem caleidoscópica, que permite giros por um dos lugares mais belos e interessantes do planeta, mas também voos sorrateiros sobre o Brasil de hoje. No encalço de Clara, capítulo a capítulo, é possível rir, sofrer, sentir raiva e curiosidade. Impossível é não se deixar levar pela fascinante ousadia de quem descobre que nunca é tarde para virar o jogo. Nilza Rezende é autora de diversos livros, tanto para público adulto: Um Deus Dentro Dele, um Diabo Dentro de Mim; Dorme, querida, Tudo Vai Dar Certo; Elas Querem É Falar; Bocas de Mel e Fel; Chico, Eu Te Amo, entre outros –, quanto para público infantojuvenil: Uma menina, um Menino, o Amor; Lili, a Menina que cansou de Ser Boazinha; Já Pensou se Alguém Acha e Lê este Diário? A escritora também é professora, formada em Letras e Jornalismo. Nilza Rezende é carioca, mas atualmente reside em Portugal.

Quase diário

Segundo romance de Elisa Lucinda, Livro do Avesso: o pensamento de Edite (Editora Malê) é uma prosa poética deliciosa de ler. Faz rir, emociona e enternece. A personagem principal, Edite, narra a sua trajetória do desejo, seus afetos, amizades e amores com a liberdade de um contínuo fluxo de consciência. Desejo, movimento e escuta estão neste quase diário, de tão íntimo, nesta ficção de boas surpresas inventivas – que possibilitam uma leitura não linear do romance. Elisa Lucinda, prosadora e poetisa de olhar atento, sensível, inteligente e tenro, nos entrega o pensamento de Edite. Fazendo que, a partir da visita ao lado de dentro da personagem, vasculhemos nossos próprios territórios do pensamento mais íntimo. Elisa Lucinda, nascida em Vitória do Espírito Santo, é poeta, jornalista, professora, atriz e cantora. Tornou-se querida do grande público por seu trabalho no teatro, TV e cinema, além de reconhecida no Brasil e no exterior pelos espetáculos, recitais e workshops em que “conversa” com o público através da poesia. Em 2009, ganhou o prêmio Mulher Cidadã – Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal. Entre seus livros publicados, estão: O Semelhante, Eu Te Amo e suas Estreias e A Fúria da Beleza. A Menina Transparente recebeu o Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro, marcando, em 2000, a estreia da autora na literatura infantil. Sua comédia poética, Parem de Falar Mal da Rotina,, foi sucesso retumbante de público e crítica. É fundadora da Casa Poema, espaço no Rio de Janeiro onde, junto à sua talentosa equipe, mantém a Escola Lucinda de Poesia Viva, onde ensina a dizer poemas de um modo coloquial e sincero.

Recolta

Uma das mais bem-sucedidas escritoras brasileiras, Martha Medeiros completa 25 anos escrevendo crônicas semanalmente – publicadas por jornais em todo o país. Fazer sucesso neste tipo de escrita é algo raro no Brasil. Mas Martha tem o dom de encantar e instigar; de questionar e inspirar. Tem milhares de leitores fiéis que a tratam como uma amiga, uma pessoa da família. O poder da crônica é justamente oferecer um papo em que quem lê se sente íntimo de quem escreve. Para celebrar este aniversário, ela selecionou as 100 crônicas de maior sucesso em toda a sua carreira. A maioria das colunas é sobre relacionamentos – amorosos e consigo mesmo. Alguns desses textos viralizaram na internet – como Uma oração para os novos tempos, escrito em 2013 e que ganhou as redes em 2018. Há textos que foram equivocadamente atribuídos a outros escritores, outros costumam ser citados em palestras e muitos fizeram diferença na vida de pessoas. Entre eles estão: O mulherão, A melhor versão de nós mesmos e A morte devagar – conhecida nos países latinos como Muere lentamente e nos países de língua inglesa como Die slowly. E há também alguns textos inéditos. No último, A sério, que encerra este livro, ela escreve: “Somos um grão de areia, daqui a alguns anos nem seremos mais lembrados, a não ser que tenhamos sido generosos, agradáveis e tivermos repartido nosso conhecimento.” Com certeza, Martha Medeiros será lembrada por muitas e muitas gerações. É autora dos best-sellers Trem-Bala; Doidas e santas e Feliz por Nada. Seu romance Divã vendeu mais de 50.000 exemplares e também virou peça de teatro. O Meu Melhor de Martha Medeiros sai sob a égide da Editora Planeta do Brasil.

Justiça para idosos

Novo livro da autora de Segredo de Justiça, que inspirou a série de sucesso no Fantástico. Depois de quase vinte anos à frente de uma Vara de Família, cuidando de casos de divórcios, pensão, guarda e convivência familiar, a juíza Andréa Pachá se viu diante de um novo desafio: assumir uma Vara de Sucessões, onde lidaria com julgamentos de inventários testamentos e curatelas. É a partir das experiências dessas audiências que Pachá desenvolve seu novo livro Velhos são os outros (Editora Intrinseca). Com talento singular para transformar as vivências no tribunal em ficção e uma capacidade impressionante de criar personagens muito vívidos e com desejos e motivações com os quais todos se identificam, Pachá narra acasos do tempo, da memória e das relações em família da perspectiva da Justiça, mas sobretudo da perspectiva humana. Histórias delicadas, bem-humoradas e emocionantes sobre a longevidade pela qual tantos de nós anseiam — aquela que trará consigo as alegrias, dores, descobertas e perdas que só quem já caminhou bastante pode experimentar. Andréa Maciel Pachá é juíza, formada em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Participou de um grupo de dramaturgia, trabalhou com cinema e teatro. Como membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criou o Cadastro Nacional de Adoção e a Comissão de Conciliação e Acesso à Justiça. Também promoveu campanhas para simplificar a linguagem utilizada nos processos, combatendo o “juridiquês”. Pela sua atuação no CNJ, recebeu em 2010, o Diploma Bertha Lutz. Possui artigos publicados em jornais de circulação nacional e revistas especializadas.

Figura enigmática

“O Brasil não precisa de heróis ou ídolos, pois, bem sabemos, eles têm pés de barro. O que precisa é conhecer a história de homens de carne e osso que nos ajudem a compreender tanto o seu percurso no passado quanto a época que os produziu. É a sua complexidade que os faz se destacar no cenário. Bonifácio foi além e quis atravessar o esquecimento. Ele construiu a própria história” – Mary Del Priore. Conhecido como o Patrono da Independência do Brasil, José Bonifácio é uma figura histórica tão fascinante quanto enigmática. Sua aura de mistério intrigou inúmeros pesquisadores, que buscaram encontrar em sua trajetória qualidades e feitos que comprovassem seu heroísmo, sua genialidade, seu patriotismo. Ao procurar entender quem foi o homem por trás do mito, no entanto, a historiadora Mary Del Priore descobriu não o super-homem que seus pares procuraram, mas um personagem de seu tempo, cheio de contradições e dilemas, forjado – como qualquer um de nós – pelas circunstâncias da vida. Se algo conduziu fortemente o destino de Bonifácio, foram sua ambição e sua curiosidade, que o levaram a viajar incansavelmente entre Velho e Novo Mundo. Em suas andanças, ele conviveu com noções de liberdade e escravidão, explorou o meio ambiente, conheceu povos indígenas. Desejou conquistar o mundo e alcançou mais do que as circunstâncias podiam lhe oferecer. Com uma narrativa envolvente que se assemelha à de um romance, repleta de citações históricas e casos pitorescos, As Vidas de José Bonifácio (Editora Estação Brasil) deixa claro por que Mary Del Priore ocupa um lugar de destaque na divulgação da História do Brasil ao grande público.