Lançamentos

As diferenças

Leões são ferozes e correm em bando pela floresta, levando pavor aos outros bichos, com suas caçadas que fazem a terra tremer. O protagonista deste novo livro da Escrita Fina, porém, é um leão diferente. Quando o bando sai em correria para capturar suas presas, ele se esconde por detrás da poeira e das árvores. Quando todos se juntam ao cair da tarde, para rugir em uníssono no topo do penhasco, ele apenas disfarça e fica em silêncio, quietinho. Ninguém percebe a falta de um urro em meio a tantos outros, afinal. Além disso, ele não entende qual a graça de se querer tanto poder. O que se ganha sendo o rei das selvas? Preferia se alimentar de folhas e de frutos, em vez de matar animais inocentes. Mas, quando ele consegue dizer isso ao leão rei, acaba sendo expulso do bando. Ninguém quer um leão diferente no grupo, um leão que não seja uma fera. Resta a esse leão humilde a solidão e o exílio – que são só o começo de uma nova aventura. Com um texto poético e envolvente, O Leão Humilde instiga os pequenos leitores a refletirem sobre a questão da diferença e do social, situando de forma lúdica o dilema que, em diferentes medidas, sempre ronda a vida de cada um de nós. Que ninguém espere respostas simples, tampouco lições ou desfechos moralistas neste cativante livro de Pereira Lima. Como mostram as divertidas ilustrações de Andrei Marani, a representar uma selva de simpáticos animais com feições de gente, o mundo é feito simultaneamente de força e de graça, de terror e de poesia.

Tinta fresca ou seca

O tema-chave de Tinteiros da Casa e do Coração Desertos é o tempo. Sobre a tinta fresca ou a tinta seca, o premiado e experiente autor, Diego Mendes Sousa, pinta sobre seus versos a passagem dos anos pela eternidade – com todas suas angústias, alegrias e saudades. Cada parede desta grande casa da poesia tem sua tinta especial, de cor e textura única, e a arte dos tinteiros da vida é impecável, emocionante e exata. O autor mistura a exuberância com a contenção de forma magnífica, traçando um quadro real da vida humana, com o de mais belo que a nossa língua pode oferecer. O livro, além dos vibrantes poemas de Diego Mendes Sousa, também recebe o prefácio de Alexandra Vieira de Almeida, que assim descreve o livro e seu autor: “Logo no primeiro poema deste livro original do escritor Diego Mendes Sousa, temos o tema que vai percorrer todo o livro – o tempo – não em seu rosto único, mas em suas faces múltiplas, desdobrando um tema de uma nota solitária em toda sua amplidão de significados e matizes. Em Tinteiros do Escuro Mergulho, a infância é esta face da memória do tempo, em que o eu não é estático, mas passa pela transformação do tempo como ‘passagem’, ‘movimento’: ‘passa o tempo vivaz...’ A casa hoje e a casa que ficou se interiorizam neste ser que admite o tempo como acorde dos sonhos: Minha infância/é este rio cavernoso/que parte de mim para mim...’” e o posfácio de Darcy França Denófrio. O lançamento de Tinteiros da Casa e do Coração Desertos, no Rio de Janeiro, será no dia 12 de abril, na Sede do PEN Clube do Brasil.

Nova leitura

Dando início à publicação de títulos do escritor João Guimarães Rosa, a Global Editora reedita o livro de contos Sagarana, publicado pela primeira vez em 1946, volume que marcou a estreia do autor na literatura brasileira. As narrativas concebidas por João Guimarães Rosa no livro trazem cenários e personagens típicos do interior do país, mais especificamente do sertão de Minas Gerais. Morros, riachos, jagunços, vaqueiros, bois e cavalos povoam as páginas das estórias magistralmente construídas por Guimarães Rosa, cuja habilidade para criar enredos e protagonistas diversos e repletos de detalhes encanta leitores até hoje e permanece influenciando gerações e gerações de escritores. Para esta nova edição, considerou-se como norte para o estabelecimento de texto a 10ª edição do livro, publicada em 1968 pela Livraria José Olympio Editora, edição considerada definitiva. Ela também traz um texto de apresentação de autoria de Walnice Nogueira Galvão, professora emérita de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP) e grande especialista na obra rosiana. A capa foi concebida pelos designers gráficos Victor Burton e Anderson Junqueira e traz uma foto de autoria de Araquém Alcântara, um dos maiores fotógrafos de natureza do Brasil, tirada em 2012 no município de Jaíba, Minas Gerais. João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908 em Cordisburgo, Minas Gerais, e faleceu em 19 de novembro de 1967, no Rio de Janeiro. Publicou em 1946 seu primeiro livro, Sagarana, recebido pela crítica com entusiasmo.

Comemorativo

Essa Terra, do escritor Antônio Torres, é um relato emocionante do impacto da “cidade grande” sobre o retirante, o imigrante nordestino. O próprio autor – nascido na pequena cidade de Junco, interior da Bahia – percorreu os mesmos caminhos dos seus personagens, deixando o Nordeste para procurar a sorte nas metrópoles do Sudeste. E a encontrou. Para celebrar os 25 anos de carreira do escritor Antônio Torres, a Editora Record lançou uma edição comemorativa do primeiro e mais famoso livro do autor, Essa Terra, primeiramente publicado em 1976. É a história de um homem que, depois de 20 anos morando em São Paulo, decide voltar a sua cidade de origem, no interior do sertão nordestino. Lá chegando, desilude-se com tudo que encontra e reencontra e acaba se enforcando no gancho de uma rede. Torres estreou na literatura em 1972, com o romance Um cão Uivando para a Lua. Em 1976, publicou Essa Terra, seu maior sucesso, que já foi traduzido para o francês, espanhol, italiano, alemão, hebraico e holandês. Também é autor de Balada da Infância Perdida; Os Homens de Pés Redondos; Carta ao Bispo; Adeus, Velho; O Centro das Nossas Desatenções; O Cachorro e o Lobo; O Circo no Brasil; Meninos, Eu Conto e Meu Querido Canibal. Em 1998, foi condecorado pelo governo francês com o Chevalier des Arts et des Lettres. Em 1987, recebeu o prêmio Romance do Ano do Pen Clube do Brasil por Balada da Infância Perdida, e, em 1997, o prêmio hors concours de Romance da União Brasileira de Escritores por O Cachorro e o Lobo.

Lembranças

Compositor e intérprete de sucessos como Invisible Touch, Easy Lover e Against All Odds, Phil Collins acumula mais de 100 milhões de álbuns vendidos tanto em uma banda quanto em carreira solo, e é um dos ícones musicais de toda uma geração. Na autobiografia Ainda Estou Vivo (Best Seller Editora), Collins narra, de maneira sincera e espirituosa, a história de sua extraordinária carreira, desde a época de ator infantil, passando por sua ascensão no Genesis até seu triunfo como um dos mais bem-sucedidos compositores da era pop. Nas páginas deste livro, os fãs poderão conhecer as histórias por trás de suas canções e turnês, projetos e crises pessoais, casamentos e divórcios, sucessos nos topos das paradas e destaques nas manchetes dos infames tabloides. Neste livro, Phil Collins se apresenta como você sempre o viu, mas como nunca o ouviu antes. “Imagine a cena (e é melhor que os leitores com predisposição ao nervosismo desviem os olhos agora): estou no chuveiro. Estamos em março de 2016, na minha casa, em Miami. Esta é a manhã de um show muito especial – minha volta aos palcos depois de anos, e, mais importante ainda, minha primeira apresentação realmente pública com um de meus filhos, Nicholas, de 14 anos. Ele vai estar na bateria, e eu, no microfone. Esse é o plano, pelo menos.” Assim começa Phil Collins no seu prefácio. Em 2011, foi anunciada sua aposentadoria para passar mais tempo com os filhos Matthew e Nicholas, que ainda eram pequenos, mas, na realidade, problemas de saúde, como perda de audição, dores na coluna, que o impediam de tocar bateria, e o alcoolismo ameaçavam o seu retorno aos palcos.

Triste realidade

Sucupira: Ame-a ou Deixe-a, de Dias Gomes, chega às livrarias com nova edição da Bertrand Brasil. O título dá continuidade ao projeto de renovação da identidade visual da obra do autor baiano. Os sete contos do livro podem ser lidos de forma independente ou em conjunto, e giram em torno das aspirações políticas de Odorico e sua saga para tentar inaugurar o portentoso cemitério de Sucupira. Para esconder suas maracutaias, o prefeito se vale dos mais variados expedientes: finge renunciar e desaparece por uns dias; se esforça para convencer um suicida malsucedido a enfim dar cabo de seu plano; e até tenta esconder um corpo que “não serve” para estrear o cemitério. Quando é flagrado em suas falcatruas, responde com mentiras, culpa a imprensa marronzista ou os políticos que lhe fazem oposição, a esquerda maquiavelenta. Usando os conflitos sociais da pequena Sucupira, Dias Gomes cria um microcosmo do Brasil e do que há de pior na vida política do país. Odorico Paraguaçu, prefeito da cidade fictícia do litoral baiano, é o típico político demagogo que usa o poder, as relações e o dinheiro para conseguir o que quer. Qualquer semelhança… Dias Gomes nasceu em Salvador, em 19 de outubro de 1922, e morreu em São Paulo, em 18 de maio de 1999. Foi um dos mais prestigiados dramaturgos e autores de telenovelas brasileiros do século XX. É autor de, entre outras obras, O Santo Inquérito, O Bem-amado, e O Berço do Herói, adaptada para a televisão como Roque Santeiro.