Lançamentos

Conhecedor das palavras

Não se poderia afirmar com certeza se Joaquim Maria Botelho está revelando, insinuando, tecendo uma tarrafa de existências ou simplesmente fazendo girar o caleidoscópio onde se erguem, para em seguida se fragmentar em entrelinhas, as letras das narrativas, o suor, e todas as imagens. Alguns destes acontecimentos se dão em varandas, quintais, campos a céu aberto, subterrâneos da terra, a zona rural. Digamos que ele esteja sentado em cadeira de balanço no alpendre, espiando da grande janela de madeira ou digitando em máquina de última geração, mas sempre estará na vertente por onde a vida passa a letra alfa de suas observações. Acomete-nos, em sua voz, nas páginas, a serração, alguma florada, insurreições de lama, fadas, uns bichos, calamidades de amores e mortes, tudo muito próximo do barro, sim, porque é na argila que Joaquim foi encontrar a gema deste movimento. É certo que utiliza o olhar pródigo em vasculhar cada escaninho do que encontra lá fora – e Joaquim é errante – porém o faz, não para registrar os acontecimentos apenas, fazer correr a notícia à moda dos que se querem correios ou se concedem asas de metal. Antes, este contador todo orgânico utiliza-se do lá fora para revelar o que de mais furtivo se encontra aqui dentro – e o prioriza –, por isso nomeou assim o conjunto das narrativas recheadas de acontecimentos exteriores. E o faz, valendo-se do imenso arsenal do seu léxico, porque Joaquim conhece muitas palavras, e as toma nas mãos, esbarrando diante delas, fixo nas moléculas da água. Lá Dentro, de Joaquim Maria Botelho, sai sob a égide da Editora Reformatório.

Ficção ou realidade?

Luiz Alfredo Garcia-Roza deixou a vida acadêmica para dedicar-se à ficção policial e às investigações do delegado Espinosa, personagem central de quase todas as suas histórias. No romance de agora, A Última Mulher (Companhia das Letras) o delegado Espinosa envolve-se num jogo de gato e rato que conta com um cafetão bem-sucedido, sua nova prostituta favorita e outras figuras da Lapa profunda. Ratto é um cafetão da Lapa, coração do Rio de Janeiro, que, acompanhado de seu sócio, Japa, consegue tirar uma pequena fortuna todo mês. Quando um violento policial resolve chantageá-lo, querendo abocanhar parte do quinhão, Ratto precisa desaparecer dali e arranjar um jeito de sobreviver. Refugiado em Copacabana, ele conhece Rita, uma prostituta jovem e muito inteligente que vira sua protegida, mas logo ambos se veem em meio a uma caçada pelas ruas e becos escuros da cidade. O delegado Espinosa, que conhece Ratto dos seus tempos de inspetor da 1ª DP, no Centro, é forçado a entrar no caso quando começam a surgir mulheres mortas com requintes de crueldade. Auxiliado pelos inspetores Welber e Ramiro, Espinosa precisa entender quem é a mente por trás de crimes tão brutais para impedir que Rita seja a próxima vítima. Garcia-Roza estreou na literatura de ficção em 1996, aos 60 anos de idade, com a obra O Silêncio da Chuva, que lhe rendeu em 1997 um dos principais prêmios literários do Brasil, o Jabuti, na categoria romance. Suas histórias policiais se passam, basicamente, na cidade do Rio de Janeiro, entre Copacabana e o bairro Peixoto. Neste, reside o personagem recorrente de seus livros, o delegado Espinosa, cuja delegacia se localiza em Copacabana.

Estado Novo

O Brasil Republicano – O tempo do nacional-estatismo de Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (Editora Civilização Brasileira), é o segundo volume da mais importante coleção sobre a República no Brasil em edição revista. Nas primeiras décadas do século XXI, temas como democracia, cidadania e República surgem, em diferentes interpretações, como dilema e desafio que a sociedade brasileira enfrenta no cotidiano. Partilhando dessas preocupações, planejamos e organizamos a coleção O Brasil Republicano, em cinco volumes: O tempo do liberalismo oligárquico (edição revista), O tempo do nacional-estatismo (edição revista), O tempo da experiência democrática (edição revista), O tempo do regime autoritário (edição revista) e O tempo da Nova República (volume inédito). O ano de 1930 terminou com uma revolução e um governo provisório. A partir daí, vários projetos políticos disputaram o poder no país. Os mais atuantes e influentes na época tentaram se impor, recorrendo às armas, mas foram derrotados: os liberais em 1932, os comunistas em 1935 e os integralistas em 1938. O Governo Constitucional cedeu lugar à ditadura do Estado Novo. O governo Vargas incentivou a industrialização do país, patrocinou uma política cultural que encontrou receptividade entre artistas e intelectuais e elevou os trabalhadores à condição de personagens centrais do regime. Reúne textos de: Angela de Castro Gomes, Dulce Chaves Pandolfi, Fábio Koifman, Lúcia Lippi Oliveira, Marcos Chor Maio, Maria Antonieta P. Leopoldi, Maria Celina D’Araujo, Maria Helena Capelato, Marly de Almeida G. Vianna, Monica Pimenta Velloso, Rachel Soihet e Roney Cytrynowicz.

Leite é Vida

Há quem aponte o leite como um grande vilão para a saúde do ser humano na fase adulta. Afinal de contas, tal premissa é verdadeira? De qual leite estamos falando? Em Leite cru – a verdade que vai mudar sua vida! (Editora Gaia) Dr. Wilson Rondó Jr. nos revela o que descobriu em suas sólidas pesquisas, ou seja, que o leite cru, desprovido de pasteurização, é riquíssimo em substâncias orgânicas e, por se encontrar em seu estado mais íntegro, representa uma fonte de nutrientes com condições excepcionais para melhorar a qualidade de vida de quem o consome. Graças ao seu profundo conhecimento na área da medicina nutricional, Dr. Wilson Rondó Jr. ilumina o debate acerca de como o leite e seus derivados agem no corpo humano. São expostos, de maneira clara, os benefícios do leite cru, as vantagens de se consumir queijos produzidos de forma artesanal, a atuação dos iogurtes no sistema digestivo, entre tantas outras informações que devemos ter em mente quando vamos nos alimentar para, assim, podermos escolher produtos que atuem ao máximo em prol de nosso bem-estar. Dr. Wilson Rondó Jr. é médico, cirurgião vascular com ampla expertise em medicina preventiva e alta performance. Iniciou sua carreira como cirurgião vascular e trabalhou como residente na Clinique du Mail – La Rochelle, França. Possui vários livros, entre os quais Emagreça e Apareça! – descubra seu tipo metabólico; Sinal Verde para a Carne Vermelha; Fazendo as Pazes com seu Peso; Prevenção: a medicina do século XXI; 20 Minutos e Emagreça e Óleo de Coco: a gordura que pode salvar sua vida, todos publicados pela Editora Gaia.

Presidência Desgovernada

Michael Wolff, autor do best-seller Fogo e Fúria, nos leva mais uma vez aos bastidores do governo Trump para revelar uma Casa Branca cercada por todos os lados. Em O Cerco – Trump sob fogo cruzado (Editora Objetiva), Wolff volta a escrever um livro explosivo sobre uma presidência que está sob fogo cruzado. No início do segundo ano de mandato, a situação de Trump mudou de forma radical. Ao deixar de ser apoiado por conselheiros experientes, ele se tornou mais impulsivo e instável do que nunca. Mas as engrenagens da justiça não param de funcionar: a “caça às bruxas” do procurador especial Robert Mueller assombrou o presidente, e outros promotores têm investigado a fundo seus negócios privados. Figuras políticas proeminentes de seu próprio partido – e até mesmo de sua equipe de governo – se voltaram contra ele e estão dispostas a derrubá-lo. A oposição, que se tornou maioria no Congresso americano nas eleições de meio de mandato, começa a ver a possibilidade de impeachment do presidente. Trump, por sua vez, tem certeza de que é inatingível, o que o torna ainda mais exposto e vulnerável. A cada semana, conforme o presidente se torna mais errático, uma questão se torna premente: será que Trump chega ao final do mandato? O cerco é uma narrativa envolvente, e uma investigação jornalística brilhante. Ao descrever as intrigas palacianas, os negócios suspeitos e as ameaças políticas, Wolff traça o retrato alarmante de uma presidência desgovernada. Sitiado pelos inimigos e alheio aos perigos ao seu redor, Trump é um personagem agressivo, autodestrutivo — e o líder que mais causou polarizações na sociedade norte-americana.

Tudo pela Educação

Na biografia Capanema – A história do ministro da Educação que atraiu intelectuais tentou controlar o poder e sobreviveu à Era Vargas (Editora Record), o autor Fábio Silvestre Cardoso traça o perfil do político habilidoso e seu projeto apoiado por setores tradicionais da Igreja Católica. Capanema, que tinha como chefe de gabinete Carlos Drummond de Andrade, se tornou o mais longevo Ministro da Educação. Cardoso analisou a fundo a correspondência disponível na Fundação Getúlio Vargas. Ele chegou ao Ministério da Educação num momento de grande conflagração política. Um novo grupo chegava ao poder com o discurso do novo, tendo como um dos discursos combater o comunismo. Para tal tarefa, contavam com o apoio da Igreja, que conseguiu emplacar um modelo educativo capaz de fazer frente ao pragmatismo. O biógrafo mergulhou fundo no acervo de documentos, anotações e textos do acervo Gustavo Capanema, da Fundação Getúlio Vargas, e dissecou o livro de memórias do irmão de Capanema para traçar um perfil surpreendente do mais longevo Ministro da Educação – permaneceu no cargo por pouco mais de uma década, entre 1934 e 1945. Fã do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, Capanema foi um exímio articulador. Atraiu o apoio tanto da Igreja Católica, que foi determinante na sua escolha em detrimento à de Anísio Teixeira, quanto de intelectuais comunistas, que eram próximos de seu chefe de gabinete, o poeta e escritor Carlos Drummond de Andrade. O livro narra ainda a relação com Alceu Amoroso Lima, fiador de sua gestão junto à Igreja, com Heitor Villa Lobos e outros expoentes da cultura nacional, como Graciliano Ramos.