Opiniões Por Arnaldo Niskier

O sucesso do Canal Futura

Numa visita feita ao gerente do Canal Futura, João Alegria, soubemos de alguns números de programas de relevo, como o “Identidade Brasil”. Na segunda-feira, às 17h30, no Canal 87, quando ele é apresentado, há uma audiência de 21 milhões de pessoas, o que dá bem a dimensão do alcance do programa, nessa verdadeira escola sem paredes.

O que se pode afirmar, com toda segurança, é que 46% da nossa população conhece essa rica programação, hoje licenciada para ser apresentada em emissoras da Europa, África, América e Ásia, divulgando ações de mobilização comunitária. O Canal Futura cresceu muito a partir do seu nascimento, no Rio, no dia 10 de setembro de 1997. Estima-se que, hoje, sirva a 60 milhões de brasileiros, com o reforço de uma importante rede de televisões universitárias, o que lhe dá ainda maior dimensão.

No caso do “Identidade Brasil”, os temas abordados referem-se, basicamente, a educação, cultura, tecnologia e inovação, servindo, assim, a alunos e professores, além de estagiários atendidos pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), que acaba de criar uma inteligente Universidade Corporativa em São Paulo, para um universo de 20 mil estudantes por mês no Saber Virtual.

A madrugada não conhece obstáculo para o Canal Futura. Os grandes temas da atualidade são discutidos de modo permanente, como aconteceu outro dia, às 3h da manhã. A TV Futura apresentou um belíssimo programa de discussão sobre as questões de gênero, na Escandinávia, particularmente na Suécia. Os alunos de pré-escola não são chamados de menino ou menina, mas por uma expressão genérica (heren). O significado disso é discutido por pais e professores. Dá um novo sentido ao papel da escola. É uma questão de atualidade.

Faz tempo que defendo que a escola não é um espaço onde se aprende somente letras e números. É no ambiente escolar que se promove a cidadania e se aprende a pensar. Falar de gênero na escola é exercitar o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres, estimulando o convívio num espaço democrático e inclusivo, onde estudantes aprenderão as regras mais simples do respeito mútuo.

Faz tempo que defendo que a escola não é um espaço onde se aprende somente letras e números. É no ambiente escolar que se promove a cidadania e se aprende a pensar. Falar de gênero na escola é exercitar o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres, estimulando o convívio num espaço democrático e inclusivo, onde estudantes aprenderão as regras mais simples do respeito mútuo.

Silenciarmo-nos sobre essa questão é reproduzir as desigualdades e ignorar a diversidade. Veicular debates sobre o assunto, como faz o Canal Futura, não significa anular as diferenças, nem promover ideologias. Canais como o 87 nos apresentam um espaço livre de discriminação, com a potência de formar uma audiência sem machismo, homofobia, misoginia ou qualquer outro tipo de preconceito.