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Liberdade e resistência


A notícia chegou de forma inesperada e nos deixou perplexos, Angela Lago, a moça pequena, de fala e olhos mansos, virou anjo. 
O primeiro contato com essa artista brilhante aconteceu na Manchete, quando o livro Uma palavra só (texto e ilustrações da autora) recebeu Menção Honrosa no Prêmio Bloch Educação de Literatura Infantil, em 1996 (o vencedor foi O menino do rio Doce, com texto de Ziraldo e bordados da família Dumont). Em novembro de 2001, Angela Lago foi a Personalidade de Literatura Infantil aqui, na nossa página no Jornal de Letras.




O Cântico dos cânticos (Paulinas) é, para mim, a obra-prima, com a presença de detalhes, de planos infinitos que nos indicam caminhos impensados.


Angela voltou o olhar para outros cânticos, de apelos e de desamparos. Cena de Rua e Marginal à esquerda (ambos da RHJ), são bons exemplos. Em 2010, Marginal à esquerda recebeu o prêmio de Literatura Infantojuvenil da Academia Brasileira de Letras. 




Foram muitos encontros, o último em Bolonha, em 2014. A genialidade de suas criações estão espalhadas em inúmeras obras, sensíveis, delicadas, poéticas.






Mas o bom humor e as brincadeiras também têm lugar nas histórias de Angela, como em Sete histórias para sacudir o esqueleto (Companhia das Letrinhas, reeditado em 2016), com causos de defuntos e assombrações, contados por seu pai.


Recebi dela um presente-surpresa! O monge e o passarinho (texto de Manoel Bernardes – Scipione – 2010). A artista escolheu um texto barroco – o autor foi contemporâneo do Padre Antônio Vieira –, e com extrema delicadeza contou essa história de tempo, de vida, de morte e de fé!







“Desenhar O monge e o passarinho me fez meditar sobre o tempo e a vida, cujo significado, se concordamos com os cabalistas, é o de encontrar no coração do coração a fagulha daquilo que se costuma chamar Deus. E que eu prefiro chamar Beleza.”   Angela-Lago


Nos dias difíceis de censura e preconceitos, encontrei uma ilha de resistência e liberdade no II Simpósio Internacional de Leitura, promovido pelo iiLer – Instituto Interdisciplinar de Leitura que abriga a Cátedra UNESCO de Leitura, na Puc-RJ. Nos dias 9, 10 e 11 de outubro dois temas centrais foram discutidos: Quanto custa o Brasil que não lê? e Quanto vale o Brasil que lê? Sempre precedidos por manifestações culturais, os encontros tiveram início com a Conferência Magna proferida pelo escritor e especialista argentino Mempo Giardinelli, que me lembrou Bartolomeu Campos de Queirós com a afirmativa: “A leitura conduz à liberdade!”. A seguir, alguns momentos do encontro.

1. Abertura, Mempo Giardinelli e Alessandro Rocha, diretor do iiLer.

2. André Lázaro (UERJ) e a oportuna releitura de Paulo Freire e Celso Furtado no tema Leitura e Desenvolvimento, com a mediação de Érico Braga (Puc-Rio).






3. José Mauro Brant declama, a pedidos, A triste história de Eredegalda (Enquanto o sono não vem, Rocco).






4. Com o tema Leitura no Brasil, história e perspectivas, o encerramento contou com os depoimentos de José Castilho Marques Netto e de Maria Elvira Charría (CERLALC, ex-diretora) e a mediação de Eliana Yunes (Cátedra Unesco de Leitura, Puc-Rio).






E para não dizer que não falei de livros, selecionei três histórias sensíveis, adequadas ao momento desta página:


O diário de Anne Frank – em quadrinhos, Ari Folman e David Polonsky, tradução de Raquel Zampil, Record. Esta história precisa ser recontada para não ser esquecida, as novas gerações precisam conhecer os dramas e a brutalidade inexplicável das guerras. Publicado em 1947, o texto que deu origem ao trabalho atual, reconta a história da jovem judia Anne Frank e de seus companheiros de esconderijo na Holanda. 






As cores da escravidão – esse livro ficou junto de mim, paciente, esperando na longa fila de leituras. Nunca imaginei que o momento surgiria mais oportuno. Que as nossas insensíveis autoridades sejam atingidas pela dura realidade da escravidão moderna, tão cruel e desumana quanto a que arrastou tantos para terras estranhas. O texto é da Ieda de Oliveira, forte e emocionante, suavizado pelas rendas de Rogério Borges (FTD).




Rosa – Mais um livro editado de forma cuidadosa da jovem Olho de vidro, com a sensibilidade do editor Marcelo Del’Anhol. O original recebeu em 2014 o Prêmio João-de-Barro, da Prefeitura de Belo Horizonte, na categoria livro ilustrado. Odilon Moraes coloca o talento e a criatividade na homenagem a Guimarães Rosa e à obra A terceira margem do rio. Lírico, denso, lindo!








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