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Literatura, simples assim!


Certa vez, comentei com Beth Serra que sentíamos tanta falta do Bartolomeu (Campos de Queirós) que não deixávamos que ele seguisse seu caminho espiritual. Beth achou graça e respondeu que todas as homenagens e a constante referência ao escritor seriam, por certo, de seu agrado.

Acho que nunca Bartolomeu fez tanta falta! Vivemos um momento tamanho de incoerência e falta de humanidade que seria um bálsamo ouvi-lo. Policiamentos, preconceitos, literatura utilitária e didática (se isso é possível!), confronto de ideias e ideais, religiosidade excludente e agressiva... Precisamos reagir a todos esses equívocos com aquilo que mais sabemos fazer: livros! Muitos livros de fantasia, de aventura, divertidos, rimados, tristes, excelentes, ou não, livres! Caberá a cada leitor decidir o significado de bom ou ruim, de gostar ou não, mas tendo a possibilidade de acesso a diferentes obras.

Volnei Canonica, em artigo do Publinews coloca:

“Aprendi aos nove anos no ferro velho do meu pai que o objeto livro tem dois valores: o literário e o do peso do papel. Quando eu recebo literatura, eu saio distribuindo literatura. Quando eu recebo livros que o único valor é o peso do papel, eu jogo no lixo para ser reciclado. Mas essa decisão precisa ser minha como leitor. Como saber diferenciar? Tendo acesso aos dois!”

Ao participar de concursos literários, sempre me surpreendo quando obras que para mim não merecem um segundo olhar são classificadas como finalistas e mesmo vencedoras!


Quando o Governo reúne um grupo de especialistas que, com experiência e embasamento teórico, seleciona obras para aquisição, está garantindo qualidade e diversidade cultural nas escolhas efetuadas. Ao permitir que leigos e curiosos da área infantil e juvenil participem de uma avaliação pseudo “democrática e aberta”, está abrindo espaço para valores nem um pouco democráticos ou construtivos, como enfatiza Volnei, seria o reforço pela busca de uma única verdade.

Com poucos recursos e muitas demandas a atender, compete ao Governo, quando retomar os programas de aquisição de livros de literatura, selecionar obras diversificadas, originais, com textos e edições de qualidade, que permitam o desenvolvimento da criatividade e da fantasia, o conhecimento de diferentes posicionamentos e valores.

Citando o querido Bartolomeu, fantasiar é experimentar a liberdade..

Completo com o texto da cartilha As crianças e os livros, projeto da Prefeitura de Belo Horizonte (Fundação Municipal de Cultura), que recebi de Fabíola Farias, uma das redatoras da obra:.

“Deixe que as crianças escolham os livros que querem ler ou que desejam que outros leiam para elas. Não se preocupe com a aprendizagem ou com os temas polêmicos. A literatura é o espaço da fantasia, do desejo, da imaginação, da liberdade.”.


Vamos ler! 

Seleção juvenil!.







Quando a primavera chegar – Texto e ilustrações de Marina Colasanti (Global) – “Tudo é surpreendente e tudo é verdadeiro no livre espaço do imaginário em que os contos deste livro acontecem. Mas não há estranhamento. Levado pela linguagem singular da autora, o leitor participa desse espaço, rumo a um encontro com suas próprias emoções.” Delicadeza, percebi, na mão, a linda flor do crisântemo!







O velho e o mar – Quem de nós não se emocionou com a fascinante história de Ernest Hemingway? Em adaptação livre de Thierry Murat e tradução de André Telles, a obra ressurge sob a forma de história em quadrinhos em edição cuidadosa da Bertrand Brasil.







Mitologia Nórdica – Neil Gaiman (Intrínseca) – Com a motivação dos quadrinhos e dos filmes, os deuses nórdicos se tornaram bem conhecidos da garotada. Odin, o mais poderoso dos deuses, sábio, audacioso e sagaz; Thor, seu filho, o mais forte e, segundo o autor, para tristeza dos fãs, o menos inteligente dos deuses; e Loki, filho de gigantes, irmão de Odin por juramento (os filmes o retratam como irmão de Thor!), trapaceiro e extraordinário manipulador. Gaiman nos apresenta deuses competitivos cujas emoções ditam grande parte de suas ações. Linda capa com o martelo de Thor!







Os Imaginários – Ilustrações de Emily Gravett e tradução de Alexandre Boide (Escarlate) – Escrito pelo renomado autor britânico A. F. Harrold, desde a primeira página cativa os leitores com essa história tão comum, que é ter um amigo invisível. Apenas Amanda consegue ver seu amigo imaginário, Rodger, até o sinistro Sr. Tordo bater à sua porta. O Sr. Tordo caça imaginários. E agora? O livro foi o Vencedor do UKLA Book Awards (Associação Literária do Reino Unido), em 2016, com júri formado exclusivamente por professores, na categoria de leitura indicada a alunos de 7 a 11 anos.







A Instrumentalina – Texto de Lídia Jorge, ilustrações de Anna Cunha (Peirópolis) – Em um lindo campo de margaridas, terminou o primeiro passeio na bicicleta mágica do tio. As mágoas e a carência de afetos estão presentes na narrativa  lusitana, com melodia de fado. Anos depois, o reencontro com os afetos, o único que conheceu em criança, com o tio ciclista. Lindo! Quando li pela primeira vez o texto da autora portuguesa, revi a aldeia do meu pai e sua bicicleta, com as mulheres vestidas de negro, intercalando as tarefas domésticas aos bordados e costuras. Guardei comigo a emoção, e agora a compartilho.



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