Literatura Infantil

Por Anna Maria de Oliveira Rennhack

E os livros contam a história!

E a notícia boa não chegou! Ao contrário, enfrentamos um mês de muitos debates e união. A união que fortaleceu a literatura infantil e a literatura juvenil, com o destaque que merecem, e que reafirmou a importância da ilustração do livro infantil.

Esperamos que, após toda a mobilização e evidência do descontentamento dos que vivem a literatura infantil e juvenil no próprio sangue, haja discernimento e coerência.

Vamos deixar que os títulos dos livros selecionados contem a história.

Começamos pela força dos celulares e das redes sociais; passamos pela importância de ouvir e ponderar; nos emocionamos com a genialidade de Roger Mello e terminamos com o desejo e a delicadeza de Paz!

A Fabulosa Máquina de Amigos – Texto e ilustrações de Nick Bland – Tradução de Gilda de Aquino – Brinque-Book. Pipoca era a galinha mais simpática da fazenda, amiga de todos e sempre disposta a ajudar. Um dia, encontrou uma maquininha com luz e começou a ter novos amigos. As mensagens chegavam a todo instante e logo a galinha estava com muitos novos amigos. Mas será que esses amigos novos são amigos de verdade?

História de Dois Lados – Luís Pimentel, ilustrado por Felipe Vellozo – Zit. Sempre é bom conhecermos os dois lados da história: o lado de vencer, o lado de perder; o lado de estudar, o lado de brincar. Para compreendermos melhor a vida é preciso às vezes ir rápido e outras bem devagar, saber falar também tem o lado de saber ouvir!

Não! – Kathrin Göpfert – Ilustrações de Marion Goedelt – Tradução de Hedi Gnädinger – Editora Gaudí. Paulo achou no parque um saquinho cheio de nãos. A partir daí, tudo fica complicado e Paulo passa a dizer não até mesmo para as coisas que gosta. Por fim, quando as estrelinhas brilhantes do não terminam, tudo volta ao normal.

O Urso Barulhento - Texto e ilustrações de Nick Bland – Tradução de Gilda de Aquino – Brinque-Book. Esse urso, mesmo sem querer, sempre se mete em confusão. Ao acordar com o som de uma música na floresta, resolve descobrir o seu talento para tocar um instrumento. Qual será que ele vai escolher? Muito barulho não é nada bom!

O Pequeno Muck – Wilhen Hauff (1802-1827) – jovem escritor alemão que criou contos de fadas que chegam hoje até nós pela adaptação de Ana Maria Machado. As ilustrações são de Luiz Maia e transmitem leveza ao conto, editado pela Global. Munck é um pequeno homem que tem que lidar com inúmeras adversidades em sua vida. Ao ser hostilizado por um grupo de crianças, o pai de uma delas (a que narra a história), após castigá-la, conta a saga de Munck e as aventuras que viveu. Ao saber da história do anão, as crianças passam a reverenciá-lo e respeitá-lo. Apesar do tamanho, Munck é um grande homem!

Pequenas Histórias para Grandes Curiosos – Texto e ilustrações de Marie-Louise Gay – Tradução de Gilda de Aquino – Brinque-Book. Uma coletânea divertida de pequenas histórias em que as ilustrações se destacam pela riqueza de detalhes. Como vivem os coelhos? E os caracóis? E as formigas? O que veem os gatos? As respostas são inusitadas e vão divertir bastante os pequeninos.

Clarice – Roger Mello, ilustrações de Felipe Cavalcante – Global. Roger Mello não precisa mais provar o seu talento. A sua trajetória, obras e prêmios o comprovam. Mais recentemente, Roger resolveu navegar por temas mais densos, porém sempre criativos e envolventes. Começou com W (Global), sem se distanciar de tintas e cores, história instigante e surpreendente. Agora chegou Clarice, em que ao texto são anexadas as intervenções de Felipe Cavalcanti. Os traços do jovem artista trazem o foco para elementos da narrativa, nos situando no hall frio dos prédios de Brasília. O livro é o tema, a desculpa para a narrativa de um tempo cheio de questionamentos e incompreensões, aos olhos da menina Clarice.

Paz – Texto e artes de Angela Leite de Souza, fotografias de Sylvio Coutinho, Abacatte. O que significa paz? Com certeza não é ficar quieto no seu canto enquanto o mundo explode ao redor. Também não é se proteger atrás de um muro. Porque a paz é irmã da paciência e filha da solidariedade. Obrigada, Angela, pela simplicidade e gentileza do texto, pela leveza e delicadeza das artes, por nos inspirar para concluirmos esse mês em que a paz precisa prevalecer!