Lançamentos

Realidades Culturais

Corpo de Ilhas (Dois por quatro Editora) de Lélia Pereira da Silva Nunes reúne textos tematicamente próximos, publicados desde 2012, com exceção de dois que são anteriores e que bem integram o conjunto. Embora a crônica seja o gênero literário de eleição, Corpo de Ilhas longe está de ser um livro de um gênero literário específico. São textos que abordam realidades culturais, sentimentos de pertença, histórias comuns e que têm a pretensão de contribuir com o debate sobre a atlanticidade literária. Corpo de Ilhas está dividido em três partes, sob os títulos: “Ilha de Santa Catarina”, “Ilhas Açorianas” e “Outras Ilhas,” em que a osmose transatlântica é o fio condutor que responde por sua unidade. A primeira e a segunda parte exploram as pontes que interligam o nosso mundo ilhas, entrecruzando identidades culturais e mundividências centradas não na unidade e sim na diversidade. A terceira parte, “Outras Ilhas”, reúne textos dispersos por aqui e por ali salvos nesta coletânea. Coligidos não por temas, mas sim pelo espaço geográfico – trata-se de outras ilhas que podem estar na sua cidade natal de Tubarão, no território catarinense ou espalhadas pelo grande arquipélago Brasil refletindo a realidade brasileira, garimpando memórias, lembrando figuras ícones da cultura nacional e derramando o olhar por outras manifestações da cultura popular. Como bem escreveu o jornalista e diretor-adjunto do Correio dos Açores, Santos Narciso: “Ela está na ‘ilha de cá’, quando escreve na ‘ilha de lá’, de tal forma que as ilhas se misturam num rodopio de cor e de festa, de espírito e de vida, só próprios de quem não vê a ilha de cá nem a ilha de lá, mas se sente dentro da ilha ou a ilha dentro de si!” (Leituras do Atlântico, 2015).

Espaço imaginário

Quando a Primavera Chegar (Global Editora) de Marina Colasanti com projeto gráfico de Claudia Furnari e ilustrações da autora, traz 17 contos inéditos. Um crisântemo floresce na palma da mão, Um menino nasce com um olho no meio da testa, Um relojoeiro fabrica um robô, Um rei precisa de povo. Tudo é surpreendente e tudo é verdadeiro no livre espaço do imaginário em que os contos deste livro acontecem. Mas não há estranhamento. Levado pela linguagem singular da autora, o leitor participa desse espaço, rumo a um encontro com suas próprias emoções. A chegada do aniversário de 80 anos de Marina Colasanti lhe trouxe muitas alegrias. Agora, em setembro, venceu o XIII Prêmio IberoAmericano SM de Literatura Infantil e Juvenil, mostrando, por meio de uma rica linguagem poética e da construção de personagens complexos, a qualidade literária de seu trabalho. Corrobora com esse reconhecimento a sua nova obra de contos infantojuvenis. Os festejos de Marina não param por aí, ela concorre também ao Hans Christian Andersen, cujo ganhador será revelado na Feira do Livro de Bolonha, em março de 2018. Marina Colasanti nasceu em Asmara, na Eritreia, viveu em Trípoli, percorreu a Itália em constantes mudanças e transferiu-se com sua família para o Brasil. É casada com o escritor Affonso Romano de Sant’Anna, com quem teve duas filhas. Viajar foi, desde o início, sua maneira de viver. Assim, aprendeu a ver o mundo com o duplo olhar de quem pertence e ao mesmo tempo é alheio. A pluralidade de sua vida transmitiu-se à obra. Pintora e gravadora de formação, é também ilustradora de vários de seus livros. Foi publicitária, apresentadora de televisão e traduziu obras fundamentais da literatura.

Questionamento

Mas Tem que Ser Mesmo para Sempre? (Editora Record), de Sophie Kinsella, é uma história espirituosa com várias facetas onde todas desembocam no relacionamento a dois e nos meandros do casamento. “Vocês vão passar dos cem anos.” Foi o que o médico respondeu com muita convicção a Sylvie e Dan, durante uma consulta de rotina. A notícia poderia parecer animadora, mas viver mais de um século quando já se tem uma década de relacionamento significa ter pela frente, pelo menos, mais sessenta e oito anos de vida conjugal. E isso, definitivamente, é tempo demais. Sylvie e Dan sempre foram “um casal com C maiúsculo”. Unidos, felizes e conectados de forma tão intensa que conseguem completar as frases um do outro. Mas descobrir a quantidade de anos de casamento que os aguarda é um pouco preocupante, afinal, como manter a paixão acesa durante todo esse tempo? É assim que surge o projeto “Me surpreenda”, cujo único objetivo é jamais cair na rotina. No universo literário de Sophie Kinsella, qualquer projeto é um prato cheio para o desastre e situações hilárias. Com o “Me surpreenda” não é diferente, e, claro, nem tudo sai como o planejado: como a vez em que Dan compra uma roupa horrível para Sylvie ou quando ela contrata um café da manhã internacional intragável para o marido. No fim, eles descobrem que há inúmeras coisas que precisam aprender sobre o outro, e, sobretudo, sobre eles mesmos. Sophie Kinsella é escritora e ex-jornalista de economia. Autora best-seller, só no Brasil já vendeu mais de 300 mil exemplares. Entre os seus sucessos estão: O Segredo de Emma Corrigan; Samantha Sweet; executiva do lar; Lembra de Mim?; Menina de Vinte; Fiquei com o seu número; A Lua de Mel e Minha Vida Não Tão Perfeita.

Reconhecimento

Prestes a completar 46 anos de vida e 20 de literatura, tempo em que publicou crônicas, poesias, livros infantis e ganhou diversos prêmios, Fabrício Carpinejar decidiu fazer uma homenagem ao seu pai e à sua mãe em forma de livro: Cuide dos Pais Antes que Seja Tarde (Editora Bertrand Brasil) traz textos comoventes e inspirados sobre o tempo, a perda, o amor, o carinho e o cuidado que os filhos devem ter. “Acreditamos que os pais são eternos, imutáveis, que estarão próximos quando surgir a necessidade. Mas eles adoecem e morrem. É uma fatalidade inevitável, não há como parar a idade, recuar o fim. Se é certo que os pais um dia vão adoecer e partir, por que não organizamos a nossa vida para acolhê-los? Por que não assumimos sua gestação? Por que não reduzimos o ritmo da carreira para darmos sentido para os seus últimos dias?”, escreve o autor, na apresentação da obra. Ao falar dos pais, ele dedica também alguns textos aos avós, dizendo que o respeito e a amizade pelos mais velhos é o primeiro passo para nos tornarmos bons filhos. Como sempre, o poeta traz para o livro suas experiências pessoais e pílulas de pensamentos inspiradas em algumas metáforas, como quando compara a história dos mais velhos aos objetos retrô que tanto valorizamos. “Não há livro antigo que reproduza a sabedoria de minha mãe. Em vez de comprar uma edição rara em um sebo, basta convidá-la a almoçar que já desfruto de uma biblioteca inteira de primeiras edições”, filosofa. Na orelha, o ator Paulo Betti, que perdeu o pai e a mãe num período de três anos, lamenta não ter lido o livro de Carpinejar antes: “É um grito de alerta. Deveria ser leitura obrigatória”, aconselha o ator.

Reversão e cura

Todos conhecemos quem tenha sobrevivido ao cancro, mas não à doença de Alzheimer. O futuro é preocupante, pois milhares de pessoas que têm hoje 40 ou 50 anos apresentam já sinais sem o saberem, uma vez que o declínio da mente é lento e quase “invisível”. Felizmente, existe agora uma esperança real para a reversão e cura da doença. Não é através de medicação, mas através de um protocolo revolucionário, desenvolvido pela equipe do Dr. Dale Bredesen, presidente fundador do primeiro instituto do mundo dedicado exclusivamente ao estudo do envelhecimento. O Buck Institute fez uma descoberta extraordinária: a doença de Alzheimer é o resultado de três processos simultâneos: inflamação; carência de nutrientes, hormonais e outras moléculas de suporte do cérebro; exposição a substâncias tóxicas. O Fim do Alzheimer (Editora Lua de Papel) descreve os 36 fatores metabólicos (como micronutrientes, níveis hormonais ou problemas de sono) que desencadeiam a perda de faculdades cognitivas. E apresenta um protocolo que vai reequilibrar todos esses fatores, introduzindo modificações práticas no estilo de vida dos pacientes: desde o consumo regular de vitamina B12 até à melhoria da higiene oral, passando pelo controle do stress. No livro, encontrará tudo o que precisa de saber para avaliar o seu estado atual, e tudo o que deve fazer para ter uma mente sempre desperta – seja aos 40 anos, seja aos 80. Dale E. Bredesen se formou na Caltech e, em seguida, ganhou seu MD do Centro Médico da Universidade de Duke, Carolina do Norte. Ele atuou como chefe residente em neurologia na Universidade da Califórnia, em San Francisco, antes de ingressar no laboratório do Prêmio Nobel Stanley Prusiner na UCSF como bolsista de pós-doutorado do National Institutes of Health.

O observador

Atticus não revela muito sobre si mesmo. Mora em Los Angeles e “está na casa dos 20”. O mistério se mantém em suas fotos de perfil, onde sempre aparece usando uma máscara. Em entrevista à Teen Vogue, o poeta afirma que a opção por esconder seu rosto não é apenas para manter o anonimato e admite que, desta forma, consegue escrever o que realmente sente e não o que acha que deveria sentir. O que se sabe de verdade sobre um dos poetas mais misteriosos do Instagram é que ele coleciona seguidores — quase 700 mil para ser mais exata, incluindo celebridades, como a atriz Shay Mitchell e a modelo Karlie Kloss — que interagem e compartilham seus trabalhos. Atticus é minimalista, seus poemas economizam linhas, mas abusam da sensibilidade ao abordar amor e liberdade. Quem vê o sucesso do autor pode pensar que a poesia sempre foi sua paixão, mas Atticus já deixou claro que fazer poemas nunca havia passado pela sua cabeça até ele despertar, há alguns anos, para a escrita e para a vontade de se conectar com o outo. Gosto Dela Livre (Editora Verus) é dividido em três seções. A primeira, “Gosto”, é sobre o amor e o significado deste sentimento. “Dela” fala sobre uma mulher. E “Livre” finaliza o livro com poemas sobre um amor jovem e livre, sobre a liberdade que há dentro de cada um. Em entrevista à revista canadense Flare, Atticus explicou o processo do livro: “Demorou muito tempo para chegar a um título que captasse o que queríamos incluir no livro. ‘Gosto dela livre’ tem um pouco de duplo sentido: pode ser sobre amar sua liberdade, ou sobre amá-la livremente.” Atticus é um contador de histórias e um observador. Nascido na costa Oeste dos Estados Unidos, passou grande parte da vida explorando o mundo e agora tem seu lar na Califórnia.