Lançamentos

Momento político

A renomada jornalista, ativista e autora best-seller Naomi Klein passou duas décadas estudando choques políticos, mudança climática e a “tirania das marcas”. Dessa perspectiva singular, ela faz em Não basta dizer não (Bertrand Brasil Editora) uma análise sobre a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, apontando que a sua agenda de governo pode agravar crises econômicas, sociais e políticas no mundo. Para a autora, a ascensão de Trump e sua agenda imprudente acarretará ondas de desastres e choques para a economia, a segurança nacional e o meio-ambiente. “Este livro é apenas uma tentativa de analisar como chegamos a este momento político surreal; como, de maneiras concretas, poderia ficar muito pior; e como, se não nos desorientarmos, podemos mudar o roteiro e chegar a um futuro radicalmente melhor”, diz a autora, que propõe várias ações para a resistência à política de choque que Trump tenta implementar. Para Klein, Trump não é uma aberração, mas a extensão lógica das piores e mais perigosas tendências dos últimos cinquenta anos – as mesmas condições que vêm provocando uma onda crescente de nacionalismo branco pelo mundo. Não basta, ela nos diz, meramente resistir, dizer “não”. Nosso momento histórico exige mais: um “sim” inspirador, digno de confiança, um guia para reivindicar o território populista daqueles que buscam nos dividir – um que indica um curso ousado para conquistar o mundo justo e solidário que queremos e de que precisamos.

História da perda

A Casa Preta aborda, com originalidade e firmeza, um tema ainda envolto em sombras, um tabu de nossa época: o luto vivido pelas crianças. Ao corporificar a tristeza de Arthur pela morte da irmã, lança um olhar sensível à variedade com que os pequenos criam estratégias para lidar com a dor e a saudade. E faz isso sem resvalar no perigo de soluções fáceis ou de mensagens de otimismo. Em vez disso, neste livro para leitores mirins, a melancolia pela morte de uma pessoa amada é tratada por meio da fantasia e do lirismo, mas também com seriedade e respeito. Arthur, esse garoto audaz, encara a solidão e o olhar dos pais mais tristes do mundo, mas volta e meia acaba se perdendo, ele próprio, num mar revolto, todo lágrimas. Apenas o Tempo se revela um aliado poderoso. Elemento indispensável para construir a história de uma perda, restituindo ao mundo suas cores de direito. A nova casa de Arthur seria parecida com todas as outras, não fosse um detalhe: ela é preta. Mas esquisito mesmo não é bem a cor da casa, e sim a sensação de estar lá dentro sem sua irmã. De repente, a família ficou menor. Agora são apenas Arthur, o pai e a mãe. Nesse novo lar, a Casa Preta, a saudade e a falta dividem espaço com monstros e fantasmas. O menino, porém, é corajoso e vai inventar mil e uma maneiras de enfrentá-los. A Casa Preta, de Fátima Geovanini, sai sob a égide da Zit Editora com ilustrações de Juliana Pagas.

Texto inédito

Um dos maiores escritores da história, Franz Kafka tem seus romances, novelas e contos incluídos nas mais diversas listas do que de melhor já se produziu na literatura mundial. Sua escrita influenciou – e influencia até hoje – a cultura não apenas na literatura, mas ainda no cinema e nas artes em geral. Na coletânea Blumfeld, um solteirão de mais idade e outras histórias, que chega às livrarias pela Civilização Brasileira, o organizador Marcelo Backes não apenas reúne os contos mais importantes do autor. Aqui, ele nos apresenta os diversos heróis que aparecem ao longo dos anos na obra do escritor tcheco para defender a tese de que, no fim das contas, todos eles são o mesmo. Além das narrativas mais conhecidas no Brasil, como “Josefine, a cantora” e “Um artista da fome”, a seleta traz ainda um texto inédito de Kafka: a peça “O guarda da cripta”, único drama que escreveu. “Quando é um camundongo – até mesmo quando é a cantora dos camundongos – ou quando é um cão, quando é um solteirão ou quando é um pai de família, quando é um médico rural ou um professor de aldeia, quando é um comerciante ou um vizinho, quando é Ulisses ou as sereias que o encantam, quando é Sancho Pança ou Bucéfalo, quando é Prometeu ou Posídon, quando é um pião ou o filósofo que o persegue, até mesmo quando é um índio ou o campeão de natação que não sabe nadar do fragmento ‘O grande nadador’, o herói de Kafka é sempre o mesmo, Kafka é sempre o mesmo.”

Realidade da Educação

Em dezembro de 2017, Tania Zagury completou 50 anos de trabalho em Educação. Nesse meio século de sala de aula, testemunhou as mais diversas reformas (na estrutura curricular, nas metodologias, no conteúdo e na forma de avaliação, entre outras), mas pôde observar também que as mudanças introduzidas por sucessivos governos pouco ou nenhum resultado trouxeram a quem mais dele necessita: os alunos, especialmente os da rede pública. Mesmo com todas as reformulações, desde os anos 1980 o Brasil só tem tido más notícias quando o tema é qualidade de ensino. Nesse cenário, Pensando educação com os pés no chão (Editora Rocco) traz análises de medidas e situações que ocorreram e/ou foram adotadas no país nas últimas décadas. O objetivo é fazer com que mais pessoas entendam suas causas e consequências – levando, dessa forma, a projetos mais realistas e pragmáticos. “O que desejo – e sei que a maioria dos professores e pais (conscientes) também deseja – é que, afinal, nossas autoridades (e parte dos especialistas da área) parem de apresentar projetos e métodos educacionais divinos, maravilhosos e de vanguarda – porém totalmente distantes da realidade do Brasil – e entendam que, antes do sonho, se faz necessário, urgente e inadiável, vencer etapas que são e darão base real e concreta para que se vença e supere a dura realidade da educação brasileira de hoje. Por isso e para isso é que ter os pés no chão se faz preciso!”, escreve a autora.

Melhor amigo?

Quem gosta e possui cães sabe da fidelidade e amizade que estes animais costumam ter por seus donos. Como não mudar nosso humor quando após um dia cansativo chegamos em casa e tem um cãozinho pulando e fazendo “festa”, alegre por nossa presença? Ou quando damos risadas ao ficar observando o comportamento deles fazendo traquinagens? Crônicas para ler com seu cachorro (Editora Tinta Negra) da autora Silvia Parisi reúne crônicas de tudo quanto é raça, história e comportamentos de pessoas e, claro, de cães. O homem que trocou sua cama ao lado da esposa pelo desconfortável sofá ao lado de seu cãozinho, o outro homem que não tinha cachorro, mas era obrigado a lidar com os cães alheios numa espécie de “estacionamento para cachorro” debaixo de sua janela, e tem aquela moça que preferiu seu cãozinho a ter um filho. Esses e muitos outros casos nos fazem pensar e refletir sobre essa relação cheia de estresse e amor dos seres humanos com esses seres peludos. Convidamos você a deliciar-se e emocionar-se com as crônicas sobre esse amigo mais altruísta que um homem pode ter dentro desse mundo tão egoísta, aquele que nunca o abandona e nunca mostra ingratidão. Silvia Parisi é paulistana e formou-se em medicina veterinária em 1988. É autora de dezenas de artigos sobre cuidados com animais de estimação, uma coleção de livros e um portal na internet sobre o tema.

Experiência Literária

O escritor búlgaro Elias Canetti ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1981. Pouco antes de morrer, ele decidiu que confiaria seus inéditos à Biblioteca de Zurique, cidade onde viveu por muitos anos. Para comemorar o centenário do nascimento do escritor, a filha de Canneti liberou antecipadamente parte deste material, que inclui os textos de Sobre os escritores. Lançado originalmente no Brasil em 2009, o livro recebe agora uma nova edição pela José Olympio. Organizado por Penka Angelova e Peter von Matt e com prefácio à edição brasileira do escritor e poeta Ivo Barroso, Sobre os escritores traz uma seleção de aforismos, discursos e anotações que falam sobre poetas, escritores e outros pensadores que influenciaram a experiência literária de Canetti. Platão, Heráclito, Confúcio, Proust, Flaubert, Shakespeare, Joyce e Kafka estão entre os nomes citados pelo intelectual e romancista. No prefácio da obra, Barroso analisa a singularidade da experiência de todos os encontros de Canetti com livros e poetas: “Ele absorve as palavras, as frases, as estruturas sintáticas. Elas o absorvem e ele as absorve à medida que elas o absorvem. Então ele as sente em sua plenitude. E começa o mais difícil: ele precisa falar sobre aquilo. Ele próprio precisa formar palavras, frases, estruturas sintáticas em que aquilo que o absorveu pode passar a ser absorvido por outros, pelos seus leitores”, completa.