Lançamentos

Para cinéfilos

Na antologia A experiência do cinema, Ismail Xavier reúne textos de teóricos, críticos, filósofos e cineastas das tradições francesa, anglófona, russa e alemã, produzidos entre 1916 e 1980. Assim, apresenta as principais teorias e uma abrangente reflexão sobre o cinema, revelando a diversidade de análises que têm marcado o pensamento sobre a experiência cinematográfica – desde as explicações básicas dos cineastas do princípio do século até as sínteses e novas propostas estéticas do pensamento contemporâneo. Com textos de André Bazin, Béla Balázs, Dziga Vertov, Edgar Morin, Hugo Mauerhofer, Hugo Munsterberg, Jean Epstein, Jean-Louis Baudry, Laura Mulvey, Luis Buñuel, Mary Ann Doane, Maurice Merleau-Ponty, Robert Desnos, Serguei M. Eisenstein, Stan Brakhage e Vsevolod Pudovkin, a obra retorna às livrarias pela editora Paz & Terra. “Publicado originalmente em 1983, A experiência do cinema prolongava a durável contribuição teórica de Ismail Xavier aos estudos de cinema no Brasil, inaugurada nos seus livros O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência (1977) e Sétima arte: um culto moderno (1978). Se não foi a primeira nem seria a última antologia brasileira de teoria do cinema (J. L. Grunewald organizara, em 1969, A ideia do cinema, e Fernão Ramos viria a organizar, em 2005, Teoria contemporânea do cinema), esta tem sido, porém, a mais presente e longeva em nosso debate, como atesta a frequência invariável com que aparece na bibliografia dos livros da área...”, ressalta Mateus Araújo na orelha do livro.

Filho de Deus

Escrito pelo autor laico brasileiro que mais vende livros de temática religiosa no país, Jesus – O homem mais amado da História (Editora Leya Brasil) é a obra mais atual sobre a vida daquele que ensinou a humanidade a amar e dividiu a História em antes e depois. O escritor e jornalista Rodrigo Alvarez recorreu às fontes bibliográficas mais recentes, investigou as mais antigas (entre elas diversos manuscritos originais) e viajou pelos mesmos lugares percorridos por Jesus em seu tempo. Fartamente ilustrado, o livro é resultado de uma pesquisa que buscou a informação em estado bruto – o mais livre possível dos interesses políticos e religiosos que sempre manipularam a História. O autor foi aos evangelhos, aos Atos dos Apóstolos, às cartas de Paulo, aos tratados de patriarcas, aos livros judaicos, às profecias, aos pergaminhos que os primeiros bispos da Igreja tentaram apagar na fogueira e aos livros gnósticos, com suas visões místicas, para reapresentar o leitor a uma figura histórica que, ao mesmo tempo Deus e humano, foi humilhado, traído, quebrou regras, desafiou e foi desafiado. Rodrigo viveu três anos em Jerusalém, de onde partiu para visitas ao Sepulcro de Jesus, à Gruta da Natividade em Belém, a Nazaré, à Turquia, à Jordânia, ao Chipre, ao Mar Morto e, claro, ao rio Jordão. Caminhou pelos mesmos desertos que Jesus, meditou no alto das mesmas montanhas, pisou nas mesmas pedras, entrou nas cavernas de Jericó, tomou banho no Mar da Galileia e subiu ao monte onde a tradição afirma que Jesus fez seu sermão inaugural.

Garças

O poeta Lasana Lukata lança mais uma de suas garças. Em a Garça sem voz (livro rápido) o autor trás mais uma vez seu amor pela ave, que o acompanha por outros livros: Meu Cartão Vermelho (crônicas), Multifoco, 2010, Caçada ao Madrastio (crônicas, 2010), Exercício de Garça, Íthacas, 2011 (poesia); Separação de Sílabas, 2011 (poesia) Virtualbooks; Urdume (poesias), editora Multifoco, 2013; Homem ao Mar (contos), editora Livros Ilimitados, 2014, Setênfluo (Poesias), editora Livros Ilimitados, 2014, Garça na janela (poesias), editora Livros Ilimitados, 2015; Pássaros sem pressa, 2016 (poesias), Mergulho (leitura silenciosa para peixes), editora Livro Rápido (2017). Júnia Azevedo na orelha assim descreve o autor e o livro: “Esqueça tudo que você ouviu sobre garças. Na poesia de Lasana Lukata, elas surgem como seres mitológicos, que nos tiram do chão para um voo redentor, do desamparo ao aconchego, do lodo ao céu, do lixo ao luxo. Em meio a lembranças de uma infância dura às margens poluídas da Baía de Guanabara aos dias de marinheiro num navio que afundou ao ser rebocado para desmanche, as garças de Lasana são aparições de bom augúrio.” Seu destino hoje voa através das asas de suas garças, nelas Lasana Lukata vive, come, dorme e faz poesia. Poderia ser uma pessoa amarga por tudo que passou, mas nos transmite em seus poemas a liberdade da ave ciconiforme que habita áreas próximas a rios, lagos, praias marítimas, manguezais e estuários.

Nossa realidade

Em O sol na cabeça (Companhia das Letras Editora), Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades próprias da idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da Cidade partida, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI. Em “Rolézim, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais. Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.

Ensaios compactos

Umberto Eco publicou seu primeiro romance, O nome da rosa, em 1980, quando tinha quase 50 anos. Nestas Confissões de um jovem romancista (Editora Record), escritas trinta anos depois de sua estreia na ficção, o autor rememora sua longa carreira como teórico e seus trabalhos mais recentes como romancista e explora essa bem-sucedida interseção. Originalmente, os quatro ensaios deste livro foram palestras do programa Palestras Richard Ellmann sobre Literatura Moderna, na Universidade Emory, em Atlanta, Estados Unidos. Eco começa explorando a fronteira entre ficção e não ficção – passeando por esse limite de forma ao mesmo tempo divertida, sincera e brilhante. Uma boa não ficção, acredita, é estruturada como um romance policial, e um romancista habilidoso pode construir mundos extremamente detalhados por meio de observação e pesquisa. A mistura entre real e ficcional se estende também aos habitantes desses mundos inventados. Por que nos emocionamos tanto com a jornada de um personagem? Em que sentido Anna Karenina, Gregor Samsa e Emma Bovary “existem”? Levando o leitor por uma viagem através de seu método criativo, relembra como elaborou seus ambientes ficcionais: começou com imagens específicas, determinou o período, a ambientação e as vozes, e compôs histórias que atrairiam tanto leitores sofisticados quanto os mais populares. Em ensaios compactos e ainda assim excepcionais, este “jovem romancista” mostra-se um mestre que tem muito a ensinar sobre a arte da ficção e o poder das palavras.

Vida de publicitário

Washington Olivetto lança sua biografia Direto de Washington - W. Olivetto por ele mesmo (Estação Brasil/Sextante). Olivetto é criador de algumas das mais marcantes e divertidas campanhas da propaganda nacional. Nesta biografia ele conta algumas histórias que ajudam a compreender como criou o seu melhor personagem: ele próprio. Ganhou o primeiro Leão de Ouro do Brasil em Cannes, conquistou todos os prêmios da publicidade mundial, entrou para o Guinness Book of Records, inspirou personagem de novela, virou letra de músicas de sucesso, nome de pratos em restaurantes famosos, selo do correio no Brasil, vice-presidente do seu time do coração, o Corinthians, cidadão carioca sendo paulista, commendatore italiano sendo brasileiro. “Este livro é uma tentativa de contar um pouco da minha trajetória e das influências e circunstâncias que me ajudaram, direta ou indiretamente, a realizar o que tenho feito. Quando minha mulher me perguntou por que eu finalmente tinha decidido aceitar o convite para escrever essas histórias, respondi com uma frase de efeito: ‘Cansei de ler inverdades a meu respeito; agora resolvi contar as minhas próprias mentiras.’ A frase é divertida; parece do Grouxo Marx, mas é minha. E não é verdade”, brinca. A biografia tem 21 capítulos e não tem ordem cronológica – Olivetto resolveu escrever de acordo com o que foi lembrando, entre outubro de 2016 e dezembro de 2017. Foto da capa é de Sebastião Salgado e o texto de orelha, do jornalista Luis Fernando Silva Pinto.