Lançamentos

Globais

Com mais de cem histórias contadas por 20 jornalistas da Rede Globo, o livro Correspondentes – Bastidores, histórias e aventuras de jornalistas brasileiros pelo mundo (Globo Livros) retrata as experiências e os desafios do trabalho de reportagem internacional em mais de 40 anos de cobertura da emissora. Pela televisão, os brasileiros viveram guerras, crises econômicas, conheceram culturas distantes, viram a queda de um muro que dividia o planeta e a explosão de dois aviões contra as torres do World Trade Center. A obra mistura os fatos com impressões, sentimentos e análises dos profissionais em relatos sobre 49 países diferentes. São depoimentos inéditos, que levam o leitor a viajar no tempo e no espaço, relembrando convulsões sociais, desastres naturais, guerras e outros importantes acontecimentos que moldaram o mundo atual. “Na saída da guerra do Iraque, a gente parou para entregar o que a gente ainda tinha de comida e de água para uma menininha, de 6 anos. Eu estava com um rapaz árabe, que estava com a gente, e ela falava para mim, olhando para mim e ele falou: ‘ela quer que você leve ela. Eu falei: ‘que desespero que pode ser, uma menina de 6 anos, quer ir embora do país, sozinha, com um desconhecido”, conta Marcos Uchôa. “O que tentei fazer é a imersão na história para procurar um olhar meu, que seja diferente das agências de notícias”, contou Caco Barcellos. Quase todos continuam em atividade e sabem que nos tempos confusos de hoje o bom jornalismo é o mais importante.

A Diva

Fernanda Montenegro participou pessoalmente da escolha e organização das fotos que estampam as 500 páginas do livro: Fernanda Montenegro: Itinerário fotobiográfico (Edições Sesc São Paulo) e representam os 70 anos de sua carreira. A obra reúne imagens que contam a trajetória pessoal e profissional de Fernanda Montenegro, que se mistura à memória da dramaturgia nacional. Além de uma seleção de fotos inéditas de seu acervo pessoal, e outras que registram cenas memoráveis ao lado de grandes nomes como Paulo Autran, Sérgio Britto e Nathalia Timberg – muitas acompanhadas de legendas com as impressões de Fernanda –, o leitor terá contato com documentos emblemáticos, artigos e depoimentos de escritores, diretores, críticos de arte, atores e amigos. Há ainda seções especiais dedicadas às diversas premiações recebidas ao longo da carreira e uma comovente homenagem a Fernando Torres, seu companheiro de trabalho e vida. Fernanda Montenegro é considerada por crítica e público brasileiro como uma das maiores atrizes de teatro, cinema e televisão de todos os tempos. No início de sua carreira, trabalhou em grupos de teatro amador e em radionovelas. A partir de 1964, passou a atuar também no cinema e, apesar das inúmeras participações em TV, o teatro nunca deixou de ser sua prioridade. Recebeu prêmios internacionais importantes, como o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza, o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim, entre outros.

O homem além da forca

Resultado de uma pesquisa de cinco anos, O Tiradentes: Uma biografia de Joaquim José da Silva Xavier, (Companhia das Letras) de Lucas Figueiredo, reconstitui a trajetória do alferes, desde a sua experiência familiar, os anos de juventude, quando foi mascate, o trabalho no baixo escalão dos oficiais – enfrentando as engrenagens da burocracia estatal –, o ofício paralelo de tratar (e tirar) dentes, até seu envolvimento na Conjuração Mineira. Deixando para trás as especulações e os relatos fabricados, e unindo verve literária e rigor histórico, este livro é um trabalho ímpar de investigação, que dá a Tiradentes a dimensão humana apagada na formação de sua história. A empreitada do jornalista Lucas Figueiredo se propõe a desmistificar a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, morto por enforcamento em 21 de abril de 1792. “Meu objetivo foi resgatar sua trajetória, do nascimento à morte, deixando de lado todo o mito Tiradentes que foi construído ao longo da história. Contei sobre sua infância, sua juventude, sua vida afetiva, a tentativa de constituir uma família, o relacionamento com uma garota 25 anos mais jovem que ele que lhe rendeu uma filha, Joaquina. Conto como ele exerceu diversas atividades (mascate, fazendeiro e minerador) e sua carreira de catorze anos no Regimento de Cavalaria. Mas também reconstituo sua trajetória na Conjuração Mineira. Portanto, procurei tratar da história do homem, sua vida privada e também sua atuação política”, diz o autor.

Internacionalização do crime

O livro-reportagem A Guerra: A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil (Todavia) do jornalista e doutor em ciência política Bruno Paes Manso e da doutora em sociologia e professora da Universidade Federal do ABC Camila Nunes Dias conta como o PCC (Primeiro Comando da Capital), criado em 1993, cerca de um ano após o massacre do Carandiru, estabeleceu um nível de organização até então inédito nos presídios brasileiros. Usando de violência, a facção expandiu sua atuação, indo para além dos limites do estado de São Paulo e até mesmo das fronteiras do Brasil – o grupo já tem bases em países como Venezuela, Colômbia e Argentina. Este livro é uma reportagem capaz de fixar a fisionomia do crime no Brasil. Os autores obtiveram relatos inéditos de integrantes das facções criminosas e contam essa história sob um ângulo revelador. Quem assumiu a dianteira desse processo foi o PCC, responsável por um grau inédito de organização nos presídios brasileiros. A facção passou a ditar as regras do crime nas prisões de São Paulo, impôs sua influência sobre outros estados e agora se internacionaliza a uma velocidade vertiginosa, valendo-se de expedientes cada vez mais violentos. Bruno Paes Manso é jornalista, economista e doutor em ciência política pela USP. É autor de O Homem X (Record) e Homicides In São Paulo (Springer). Camila Nunes Dias é doutora em sociologia pela USP e professora da Universidade Federal do ABC. É autora de PCC: Hegemonia nas prisões e monopólio da violência (Saraiva).

O Papa é Pop

É Bergoglio o primeiro papa a ser criticado? Em Fake Pope – As falsas notícias sobre o Papa Francisco, lançado pela PAULUS Editora, os autores Nello Scavo e Roberto Beretta afirmam que não! Eles explicam que a figura do Papa é, há séculos, alvo de mentiras. Houve na história pontífices atingidos por fortíssimas acusações. No entanto, em tempos de amplo debate social pela opinião pública – sobretudo no âmbito digital – as fake news se tornaram armas poderosíssimas. Na obra, os autores – reconhecidos por cobrir a vida eclesiástica –, apontam algumas falsas notícias, abordam a necessidade de ser discutido o tema e alertam sobre a importância da busca e da averiguação dos fatos. Nello e Roberto destacam que, contra o Papa Francisco, circulam acusações completamente inventadas e que é preciso combater essas falácias, pois as consequências podem comprometer o trabalho de anos, como o da Igreja. “Um tiro de canhão de mentiras ou semiverdades manipuladas com arte, tem o poder de devastar o trabalho de anos, de injetar uma desconfiança demolidora onde – e é com frequência o caso da Igreja – o resultado final depende dos delicados equilíbrios e da paciência nas relações humanas”, dizem. Os jornalistas Nello Scavo e Roberto Beretta dão 80 exemplos de histórias que já circularam sobre o líder da Igreja Católica na internet – como a de que tem ligação com a maçonaria ou a de que havia tirado sua primeira selfie em 2015 – e as desconstroem, explicando de onde vieram as mentiras.

Nosso Futuro

Desta Terra Nada Vai Sobrar, a Não Ser o Vento que Sopra sobre Ela (Global Editora) é o título do tão aguardado romance de Ignácio de Loyola Brandão. O próprio autor, em entrevistas recentes, declarou sua surpresa ao constatar, ao final da concepção do romance, sua ligação natural com seus desconcertantes Zero e Não Verás País Nenhum. Neste novo livro, Loyola eleva à máxima potência a distopia presentes nesses dois livros fundamentais do escritor, que, em 2016, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. A narrativa de Desta Terra Nada Vai Sobrar, a Não Ser o Vento que Sopra sobre Ela transcorre num futuro indeterminado, em que, ao nascer, todos recebem tornozeleiras eletrônicas, são seguidos, vigiados, fiscalizados por câmeras. Os ministérios da Educação, Cultura, Direitos humanos e Meio Ambiente foram extintos. Circulam os comboios de mortos das mais variadas doenças. As escolas foram abolidas. A política, matéria rara, se tornou líquida. Coexistem 1.080 partidos. E ninguém governa verdadeiramente. Uma nação moderna, mas arcaica. No meio disso tudo, conhecemos o desenrolar da história de amor entre Clara e Felipe, conturbada como o mundo em que vivem. Alinhavando encontros e desencontros, lembranças e esquecimentos, Loyola recolhe, funde e amplifica as vozes e experiências que se chocam num mundo em caos e desalinho, expondo os nervos das fragilidades e ambições humanas.