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Coisas de família

Rebecca Smith é sobrinha-neta de quinto grau de Jane Austen. Isso não diz grande coisa, já que, como a própria Rebecca conta na introdução de O clube de escrita de Jane Austen, os irmãos da escritora inglesa tiveram trinta e três filhos ao todo. E, passados exatos 200 anos de sua morte, o número de descendentes já deve chegar à casa dos milhares. Mas Rebecca também escreve. E, entre 2009 e 2010, foi escritora residente na Casa Museu de Jane Austen, em Chawton, na Inglaterra. Durante um ano, ela releu toda a obra da tia-avó, promoveu clubes de leitura e inspirou-se ao “caminhar por onde ela caminhou e ter a mesma vista que ela ao abrir as janelas”. Daí surgiu a primeira ideia para este livro, que chegou às prateleiras pela Bertrand Brasil. O clube de escrita de Jane Austen, com tradução de Roberto Muggiati, é um guia de inspirações e dicas para aspirantes a escritores, além de ser uma fonte de curiosidades deliciosas para os fãs da inglesa. Usando cartas escritas por Austen e destrinchando trechos de alguns de seus clássicos romances, Rebecca revela algumas de suas lições valiosas, além dos principais deslizes a serem evitados. Logo no começo, com base em diversas cartas enviadas a sua irmã Cassandra e a sobrinhos que queriam tornar-se escritores, o livro oferece algumas dicas básicas de Austen para quem está começando a planejar um romance. São sugestões como: “Leia”, “Escreva sobre coisas que você entende”, “Seja preciso nas informações ou seus leitores deixarão de confiar em você”, “Conheça bem os seus personagens”, “Não sobrecarregue sua obra com detalhes desnecessários: corte e edite”.


Menina- mulher

Com imagens e versos de extrema delicadeza, Luciana Grether em Marinela (Zit Editora) dá vida a personagens que representam a exuberância singular do sertão brasileiro. Lançando luz a um espaço e a um viés tão pouco retratados na literatura para crianças, a autora elabora um preciso elogio à força da sabedoria feminina e da cultura do interior do país. Palavras como “feminismo” ou “emancipação” não aparecem em parte alguma da narrativa. Este é, porém, um livro feminista – e um elogio à emancipação, à força e à criatividade das mulheres. E é, também, uma história sobre o tempo. Sobre a sabedoria e a intuição – tão femininas – de quem aprende a lidar com os ritmos da natureza e da vida. De quem substitui a espera passiva e subserviente pelo labor e pela alegria de pertencer a uma cultura e a um lugar. Marinela é uma personagem rara nas narrativas do gênero. Negra, pobre, habitante do sertão, esse lugar tão negligenciado, representa todas as meninas brasileiras cheias de vigor e de sensibilidade, que traçam sua própria história à revelia de príncipes ou reinos encantados.  Luciana Grether é mestre em Artes & Design, ilustradora e professora na PUC-Rio. Ilustra livros desde 1998 e alguns já foram selecionados pela FNLIJ para BIB Bienal Internacional de Bratislava 2017, Catálogo da Feira Internacional de Bolonha 2013 e 2017, Manual da FLIP (Flipinha) e PNBE. Ilustrou a Abertura da Novela Joia Rara da Rede Globo e o livro A Vida de Buda da mesma trama em 2013, e entre 2001 e 2002 colaborou com ilustrações para o Jornal do Brasil. Marinela é sua estréia como autora de texto.


História recontada

Em 1917, a Revolução Russa mudou a configuração do país – e depois, consequentemente, do mundo – ao derrubar a monarquia e alçar o partido bolchevique e seu regime socialista soviético ao poder. Durante pouco mais de um ano, o tsar deposto, Nicolau II, viveu em prisão domiciliar e posterior exílio com a família – a esposa e cinco filhos. Em julho de 1918, toda a família foi executada na cidade de Ecaterimbugo, num dos mais emblemáticos episódios da revolução. Embora essa seja a história oficial, sempre houve teorias de que alguns dos membros do clã Romanov pudessem ter, secretamente, escapado da morte. O historiador Marc Ferro é um dos que questiona esta narrativa, como mostra em A verdade sobre a tragédia dos Romanov, que a Record acaba de lançar. Em intenso trabalho de pesquisa, Ferro consultou documentos, depoimentos e diários, analisou casos como os de juízes e testemunhas subitamente mortos ou executados, peças do dossiê de instrução subutilizadas e testes de DNA controversos. Por fim, chegou à conclusão de que a tsarina e suas filhas teriam sido salvas graças a um acordo secreto entre bolcheviques e alemães, a partir do qual – e para sempre – elas deveriam se calar sobre terem sobrevivido. No livro, o especialista constrói a sua tese: ele detalha seu processo de apuração, revisita as tensões da época e analisa a posterior investigação conduzida pela Rússia. O livro traz ainda um apêndice com a íntegra de alguns dos documentos citados por Ferro, uma cronologia dos acontecimentos e a genealogia da família Romanov, entre outros extras. Tradução de Alessandra Bonrruquer.


Contos-blues

Por alguma estranha razão, a morte, que é o motor de todas as repulsas e dos medos humanos não deixa de seduzi-los e atraí-los. São pequenas tragédias cotidianas que às vezes com um sorriso de Mona sabe emoldurar-se em todos e cada um. Há música, estrondo e silêncio no abismo – as histórias deste livro se escrevem nas linhas tortas desse pentagrama. O destino das metáforas de Sidney Rocha (Iluminuras) é para quem gosta de uma literatura assim “música acima de tudo”, mas não caudatária de nenhum simbolismo, se encontrará em espelho de metal nas personagens que vibram como se fossem gente em carne viva. Que se encontra em cada esquina. A frustração, a vingança, o desejo e o desejo de fuga e muito mais do turbilhão de emoção e fantasia do nosso tempo estão aí queimando nas páginas deste livro de antiajuda. Desaparecer e fugir, tão presentes em mais de um conto, não são formas de evasão, mas de libertação. Houdinis de fim de festa. A liberdade assim veste uma combinação de “lascívia e abandono”, expressão que o narrador emprega e define bem certas figuras. Esses contos-blues, alguém dirá, são mais que contos, são roteiros prontos de cinema, o que quer dizer, são daquele tipo de literatura inspiradora de outras artes. Não será difícil encontrar histórias encenáveis, dançáveis, e até musicáveis. Talvez pela intensidade sanguínea que faz certas personagens parecerem metáforas e de certas metáforas gente de carne & osso & sangue & lágrimas, cortadas & costuradas como as flores na túnica bordada por Dejanira, ou melhor, Margarida – o seu destino assim escrito não nos deixa mentir. 


Medo, terror e violência

Vampiros, arcanjos, elmos, bruxas, monstros, pactos malignos e alucinações. Os 12 contos reunidos em Sombras no abismo – Contos de suspense e terror de Helena Gomes e Osvaldo Secatto (Escrita Fina Edições) dão vida às mais variadas criaturas e formas do medo. Seus autores recorrem a uma enorme erudição e a referências clássicas – que vão desde a mitologia grega até a atmosfera terrível da Inquisição – para narrar histórias repletas de sobressaltos, reviravoltas, tensão e surpresas. Narrativas que, para além de divertir e assustar, traçam um passeio vigoroso pelo imaginário ocidental a respeito do medo, do terror e da violência. Com isso, trazem novidade e conteúdo às histórias de suspense e de fantasia que tanto despertam a atenção dos jovens leitores. Na sombria Londres de 1888, uma criatura metade loba e metade humana caça suas vítimas, enquanto é caçada por um estranho arcanjo. A notícia de um demônio de olhos vermelhos, que cruza o mundo cercado por corvos e nuvens negras, leva apreensão a um antigo mosteiro beneditino do norte da Itália, no século 12. Vampiros assombram as florestas do Alentejo, em plena guerra entre cristãos e mouros. Nos dias de hoje, um garoto enfrenta um pesadelo doméstico: os legumes em formato de carinha, que sua mãe insiste em fazê-lo comer, são na verdade criaturas malignas que o encaram no prato.  Com tudo isso, Helena Gomes e Osvaldo Secatto constroem uma obra admirável e hipnótica, que mostra como mesmo o suspense e o terror podem se reinventar e se revigorar – tal quais algumas das criaturas encantadas que ressurgem no escuro.


Saber viver

De tempos em tempos, surge um livro que, com sua maneira original de iluminar importantes temas espirituais, se torna um fenômeno tão grande em seu país de origem que acaba chamando a atenção e encantando leitores de todo o mundo. Escrito pelo mestre zen-budista sul-coreano Haemin Sunim, As coisas que você só vê quando desacelera (Editora Sextante) é um desses raros e tão necessários livros para quem deseja tranquilizar os pensamentos e cultivar a calma e a autocompaixão. Ilustrado com extrema delicadeza, ele nos ajuda a entender nossos relacionamentos, nosso trabalho, nossas aspirações e nossa espiritualidade sob um novo prisma, revelando como a prática da atenção plena pode transformar nosso modo de ser e de lidar com tudo o que fazemos. Você vai descobrir que a forma como percebemos o mundo é um reflexo do que se passa em nossa mente. Quando nossa mente está alegre e compassiva, o mundo também está. Quando ela está repleta de pensamentos negativos, o mundo parece sombrio. E quando nossa mente descansa, o mundo faz o mesmo. Haemin Sunim é escritor e um dos professores de zen budismo mais influentes da Coreia do Sul, país onde seus livros venderam mais de 3 milhões de exemplares e são considerados obras populares não apenas para meditação, mas para superar os desafios da vida cotidiana. Nascido na Coreia, onde passou por um treinamento monástico, ele estudou nos Estados Unidos (UC Berkeley, Harvard, Princeton). Haemin tem mais de um milhão de seguidores no Twitter (@haeminsunim) e Facebook e vive em Seul quando não está viajando para disseminar seus conhecimentos.

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