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Revivendo uma época

Em √öltima Hora (Editora Record), o escritor Jos√© Almeida J√ļnior, vencedor do Pr√™mio Sesc de Literatura em 2017, reconstr√≥i um dos per√≠odos mais importantes da hist√≥ria do pa√≠s. ‚ÄúGet√ļlio Vargas lan√ßou as bases do trabalhismo brasileiro e influenciou o pensamento de esquerda de pol√≠ticos como Jango, Brizola e Lula. Por outro lado, Vargas perseguiu comunistas e implantou uma ditadura violenta durante o Estado Novo. Tive a curiosidade de compreender o comportamento dos comunistas, que haviam sido perseguidos no Estado Novo, durante o governo democr√°tico Vargas do in√≠cio dos anos 1950‚ÄĚ, conta o autor, em entrevista ao blog da editora. No livro, Almeida J√ļnior refaz uma das maiores batalhas da imprensa na √©poca, a de Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, e Wainer. Com o apoio da cadeia de jornais e r√°dios de Assis Chateaubriand, o Chat√ī, e de outros magnatas das comunica√ß√Ķes, como Roberto Marinho, Lacerda perseguiu o dono da √öltima Hora at√© o desfecho final da crise, com o suic√≠dio do presidente. Marcos, que ora se alia a Wainer ora ajuda Lacerda, √© o contraponto entre esses personagens t√£o complexos. ‚ÄúProcurei encontrar as contradi√ß√Ķes em Wainer e Lacerda e explor√°-las no ponto de vista de Marcos‚ÄĚ, diz o autor. Nelson Rodrigues, que criou na √öltima Hora, com o apoio de Wainer, a famosa coluna ‚ÄúA vida como ela √©‚ÄĚ, tamb√©m √© personagem do livro, um mergulho na capital do Brasil dos anos 1950. Com uma trama envolvente, que inclui hist√≥rias de tortura, milit√Ęncia, dela√ß√£o, justi√ßamento e um combate conservador √† corrup√ß√£o, √öltima Hora guarda muitas rela√ß√Ķes com o a hist√≥ria atual do pa√≠s.


Formação Política

Escrito no ex√≠lio de Luiz Alberto Moniz Bandeira e publicado originalmente em 1967, O ano vermelho retorna pela Editora Civiliza√ß√£o Brasileira, em edi√ß√£o revista e ampliada. A primeira edi√ß√£o apresentou aos brasileiros os acontecimentos que colocariam, para sempre, a quest√£o oper√°ria (ou social) no centro da agenda pol√≠tica e hist√≥rica do pa√≠s. Era o resultado da irrup√ß√£o das rela√ß√Ķes capitalistas, a partir da segunda metade do s√©culo 20, da Aboli√ß√£o, da grande imigra√ß√£o e dos surtos econ√īmicos que possibilitaram a primeira industrializa√ß√£o do pa√≠s, especialmente durante a Primeira Guerra Mundial. Este livro ‚Äúmagistral‚ÄĚ ‚Äď nas palavras do prof. Oswaldo Coggiola ‚Äď, apresenta o significado do ano vermelho brasileiro para a incorpora√ß√£o do pa√≠s √† hist√≥ria pol√≠tica mundial e o modo pelo qual essa luta viria a condicionar as mudan√ßas pol√≠ticas posteriores. ‚Äú√Č profundo o conhecimento do autor sobre a hist√≥ria da R√ļssia e da Revolu√ß√£o de Outubro de 1917. Como tudo o que escreve, esta tamb√©m √© uma obra de muita erudi√ß√£o, com s√≥lida base documental e interpretativa, mas de f√°cil e apaixonante leitura. Moniz Bandeira nos faz acompanhar os passos do jovem Lenin ‚Äď os redutos dos movimentos sociais e pol√≠ticos, a crise russa, a forma√ß√£o dos partidos social-democrata, socialista e comunista at√© a queda do regime czarista e a vit√≥ria da revolu√ß√£o, a guerra civil, a invas√£o do territ√≥rio russo pelos Aliados, a forma√ß√£o, contradi√ß√Ķes e dissid√™ncias do Partido Comunista (PC) e movimentos oper√°rio/campon√™s e trabalhadores, nos primeiros anos da revolu√ß√£o‚ÄĚ, ressalta Regina Maria A. F. Gadelha na orelha do livro.


Filhos crescem

Que ser m√£e √© padecer no para√≠so a sabedoria popular j√° tratou de espalhar para todo o mundo. Mas... e quanto aos filhos? Ser√° que n√£o vivem l√° o seu quinh√£o de mart√≠rio nessa rela√ß√£o? Em Fala s√©rio, m√£e! (Editora Rocco) Thalita Rebou√ßas apresenta os dois lados da moeda em cr√īnicas sinceras e bem-humoradas. Ao longo do livro s√£o descritas as queixas e alegrias da m√£e coruja (e um tantinho estressada) √āngela Cristina, em rela√ß√£o √† primog√™nita Maria de Lourdes, a Malu, assim como as teimosias e o sentimento de opress√£o desta em fun√ß√£o dos cuidados muitas vezes excessivos da m√£e. Para retratar os dois pontos de vista, a primeira parte do livro, da gesta√ß√£o de Malu at√© o seu primeiro beijo, aos 12 anos, √© narrada por √āngela Cristina, que ent√£o passa a palavra √† filha: ‚ÄúA partir de agora, tenho certeza, ela j√° pode falar por si pr√≥pria.‚ÄĚ Entra em cena ent√£o a segunda narradora, a pr√≥pria Maria de Lourdes, contando, de acordo com sua √≥tica, as alegrias e desafios da adolesc√™ncia, do amadurecimento e da rela√ß√£o m√£e e filha. Se antes o livro acompanhava Malu at√© os 21 anos, a novidade desta edi√ß√£o ampliada, s√£o as aventuras da protagonista dos 21 aos 23, um acr√©scimo que promete ainda mais emo√ß√Ķes e risadas para os antigos f√£s e para os leitores que est√£o descobrindo o livro agora. Amor, carinho, compreens√£o e, claro, muitas brigas. As habituais ‚Äď e saud√°veis ‚Äď discord√Ęncias existentes entre m√£es e filhas, sempre regadas a muito amor, s√£o descritas em deliciosas cr√īnicas em Fala s√©rio, m√£e!, um relato fiel e divertido da conviv√™ncia por vezes selvagem entre criadora e criatura.


Sonhos do Bruxo

Em O menino que vendia sonhos (Escrita Fina Edi√ß√Ķes), Alexandre Azevedo recria em versos essa passagem curiosa da vida do escritor carioca. As ilustra√ß√Ķes de Rubem Filho retratam com riqueza de detalhes o burburinho nas ruas da ent√£o capital do pa√≠s, com seu frenesi de gentes, charretes e com√©rcio, tudo ladeado pelo inconfund√≠vel casario colonial. Cen√°rio e algaravia, ali√°s, que marcam profundamente a produ√ß√£o liter√°ria de Machado. Admirado no mundo todo, Machado de Assis √© respons√°vel por uma obra extensa, que contempla v√°rios g√™neros. Foi ele quem introduziu o realismo no Brasil. E foi, tamb√©m, o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. O que nem todo mundo sabe √© que, antes de se consagrar como intelectual singular, teve inf√Ęncia pobre. Ao resgatar essas passagens, O menino que vendia sonhos lan√ßa luz a outras curiosidades sobre a vida do escritor, como a morte precoce de seus pais, a cria√ß√£o pela madrasta e o emprego numa tipografia, onde iria ter como patr√£o o tamb√©m escritor Manuel Ant√īnio de Almeida. Com tudo isso, o livro de Alexandre Azevedo e de Rubem Filho celebram a paix√£o dos dois pela obra machadiana, enquanto tecem um convite, desde j√°, aos jovens leitores: que, no futuro, tamb√©m se permitam encantar pelas p√°ginas do Bruxo. Alexandre Azevedo nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, √© cronista, teatr√≥logo, romancista, contista, ensa√≠sta e tem mais de 120 livros editados por v√°rias editoras.¬† O ilustrador Rubem Filho tamb√©m nasceu em Belo Horizonte, estudou na Escola Guignard, onde aprimorou t√©cnicas de desenhos e descobriu a gravura em metal e litografia.


Arte revelada

A gl√≥ria e seu cortejo de horrores (Cia das Letras Editora) da atriz e escritora Fernanda Torres acompanha as desventuras de Mario Cardoso, um ator de meia-idade, desde os dias de sucesso como astro de telenovela at√© o total decl√≠nio quando decide encenar uma vers√£o de Rei Lear ‚Äď e as coisas n√£o saem exatamente como esperava. A hist√≥ria atravessa diversas fases da carreira de Mario (e da hist√≥ria recente do Brasil), suas lembran√ßas de juventude no teatro pol√≠tico, a incurs√£o pelo Cinema Novo dos anos 1960, a efervesc√™ncia hippie do Ver√£o do Desbunde, o encontro com o teatro de Tch√©khov, a gl√≥ria como um dos atores mais famosos de uma √©poca em que a televis√£o dava as cartas no pa√≠s. A gl√≥ria e seu cortejo de horrores √© um painel corrosivo de uma gera√ß√£o que viu sua ideia de arte sucumbir ao mercado, √† superficialidade do mundo hiperconectado e √† derrocada de suas ilus√Ķes. Fim foi o come√ßo da carreira liter√°ria de Fernanda Torres, que h√° trinta e cinco anos mant√©m uma carreira de sucesso no teatro, no cinema e na televis√£o. Fim vendeu mais de 180 mil exemplares e teve direitos de publica√ß√£o adquiridos na Fran√ßa, na Holanda, na It√°lia e em Portugal. ‚ÄúUm jovem aspirante a ator no Rio de Janeiro dos anos 1960 d√° seus primeiros passos na profiss√£o em pe√ßas engajadas na luta pol√≠tico-cultural contra a ditadura militar e o capitalismo selvagem que a sustentava no Brasil. Na verdade, ele est√° mais interessado nas mulheres do elenco e da plateia, e na aventura do teatro em si, do que em revolu√ß√£o de qualquer esp√©cie.‚ÄĚ, assim define Reinaldo Moraes, o protagonista na orelha do livro.


Lendas e Causos

Prosa que revela hist√≥rias que passaram de gera√ß√£o a gera√ß√£o, ati√ßando as noites √† beira do fog√£o a lenha. Assim √© a vida no S√≠tio de Cima, onde a narradora deste Uma hist√≥ria dentro da outra e Lendas do rio Doce (Zit Editora) busca inspira√ß√£o, cavoucando a mem√≥ria que n√£o √© s√≥ sua, mas de toda uma comunidade. A ba√≠a do Rio Doce ‚Äď enorme territ√≥rio √†s margens do rio que cruza parte de Minas Gerais e do Esp√≠rito Santo ‚Äď foi palco, em 2015, do maior desastre ambiental do Brasil. As lendas e causos reunidas neste novo livro d√£o mostras de como √© forte a cultura popular erigida ao redor do Rio Doce, e de como √© importante preserv√°-la. Munida de um texto saboroso e cheio de lirismo, Geny Vilas-Novas conta hist√≥rias como a do filho do ca√ßador, que ficava sob os cuidados de um c√£o enquanto o pai sa√≠a para ca√ßar; do Capeta que se transforma num gato preto para desmantelar a vida de um casal feliz; ou do menino que caiu dentro do rio e que o pai transformou num peixe enorme de escamas douradas. Lembran√ßas da alegre conviv√™ncia em fam√≠lia, com direito a telesc√≥pio feito de argila, expectativa ante um ovo de ema, quadro da Mona Lisa que d√° medo. Assombros e brincadeiras de inventar e de imaginar, compartilhadas entre crian√ßas e adultos. Nesse ir e vir entre o √≠ntimo e o popular, Geny Vilas-Novas cria um livro de grande voltagem po√©tica, que ajuda a preservar a mem√≥ria da cultura atrelada ao Rio Doce, ao mesmo tempo em que incita a imagina√ß√£o e celebra a gra√ßa dos afetos. Uma viagem que fica ainda mais atraente com as ilustra√ß√Ķes de Fl√°vio Colin, craque do desenho que nos deixou em 2002.

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